O que aprendi com Henri Cartier-Bresson

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1º – Dar sentido ao mundo através de fotografias.

Tenho pelo menos dez fotógrafos que, encaro como os principais mestres nesta arte que é a fotografia. Como é óbvio, há muitos mais, mas cada um terá os seus fotógrafos preferidos. Eu tenho os meus*. Ao longo dos tempos fui estudando as suas obras, e procurei aprender algo diferente com cada um deles. E na verdade, cada fotógrafo tem algo único para nos ensinar. Este é o primeiro de uma série de artigos em que procuro condensar aquilo que cada um desses fotógrafos me inspirou. Não são artigos académicos, são pequenas reflexões sobre a “filosofia da fotografia”, ou a conceptualização da fotografia. Não podia deixar de começar pelo mais “clássico” de todos eles. Henri Cartier Bresson.

Há uma certa dúvida sobre se Cartier Bresson não seria budista, já que a sua filosofia de vida e alguns dos seus textos parecem apontar nesse sentido. Segundo ele, um dos livros que mais o inspiraram na sua fotografia era “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” de Eugen Herrigel, um livro sobre o tiro com arco, já que, segundo Bresson, parece haver bastantes similitudes entre o tiro ao arco, e a fotografia.  Bresson não estava nada interessado na “fotografia encenada”, ele estava interessado principalmente, em captar “instantâneos”, momentos únicos e irrepetíveis, que levaram ao desenvolvimento da sua célebre frase, e técnica, do “Momento Decisivo”. Embora hoje em dia, esta frase seja vista como mais um cliché, convém não esquecer o que o próprio Bresson disse sobre ela em 1976: – “Tirar fotografias significa reconhecer simultaneamente, e numa fracção de segundo, tanto o facto em si como a organização rigorosa das formas visualmente percebidas que lhe dá sentido. É colocar a cabeça, o olho e o coração no mesmo eixo.”

Isto não impediu que Bresson fotografasse muitos artistas, amigos e pessoas famosas, que estavam perfeitamente cientes do que Bresson estava a fazer, e aquilo que ele estava a fazer era poderíamos dizer, uma fotografia encenada, ou pelo menos, previamente combinada. O que para mim é importante, é a ideia dele de que a câmara é como “um sketchbook, um instrumento ao serviço da intuição e da espontaneidade”. Fiquei sempre com esta ideia gravada, de que é importante usar a intuição, e a espontaneidade quando fotografamos. A fotografia, ou melhor, a boa fotografia, 90% das vezes não é obra do acaso, requer concentração, disciplina mental, e um sentido de geometria muito apurado. Há que saber respeitar as características específicas do objecto fotografado.

No entanto, para mim, e para o tipo de fotografia que gosto de fazer, a ideia a reter é que, um sentido de geometria bastante apurado, pode levar a um bom enquadramento, e logo á partida, a uma grande economia de meios, que por sua vez levam á simplicidade de expressão. Bingo, e aqui entra o que eu gosto, a filosofia Zen da simplicidade, aplicada á fotografia. As grandes (boas) fotografias, não precisam de ser complicadas, nem complexas. A maiorias das melhores imagens de Bresson, são bastante simples e até minimalistas, geometricamente falando.

Resumindo, para mim, e isto é a minha análise pessoal, Cartier Bresson, era acima de tudo, um esteta, ou seja, era alguém que se preocupava fundamentalmente em fazer belas imagens, geometricamente perfeitas, se nessas imagens conseguisse transmitir emoções, melhor ainda. Há imagens suas que são composições perfeitas mas sem emoção á vista. Isto não quer dizer que ao trabalho de Bresson falte emoção e empatia, longe disso, ele tem muitas imagens emocionalmente fortes, e que normalmente tendem a ser consideradas como os seus melhores trabalhos, ou pelo menos os mais apreciados pelo público. Era, e ainda é um clássico, como são Picasso na pintura, e Stravinsky na música, Cartier Bresson é o nosso clássico da fotografia.

Concluindo, aprendi com Cartier Bresson que a vida em si mesma oferece uma tal abundância de imagens e potencial material fotográfico, ou fotografável que, o fotógrafo deve a todo o custo evitar cair na tentação de fotografar tudo o que vê. Na realidade, tudo é fotografável. Por isso, é essencial que aprenda a cortar e a seleccionar o material em bruto (cru) que lhe aparece. Tem que cortar e seleccionar, mas com discriminação. Deve ter sempre em mente, o objectivo de tornar as coisas o mais simples possível. Mas não simples demais. Tentar evitar a desordem. Afinal a fotografia é mais subtracção do que adição. Mas talvez a chave para isso esteja nas palavras do próprio Bresson;- o fotógrafo tem que ficar em segundo plano, tem que se esquecer de si mesmo, porque como diz Degas (pintor), …é bom ser famoso, desde que nos mantenhamos desconhecidos.

Nota: Obviamente que muito mais haveria a dizer sobre Cartier Bresson(e será dito), mas por agora ficamo-nos por aqui. Boas fotos.

Alguns dos meus fotógrafos favoritos, (há pelo menos outros tantos de quem gosto imenso).

Henri Cartier Bresson

Josef Koudelka

Alfred Stieglitz

Ansel Adams

Nobuyoshi Araki

André Kertész

Elliott Erwitt

Garry Winogrand

Walker Evans

Sebastião Salgado

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

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