O que aprendi com Josef Koudelka

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© Fernando Kaskais

O que aprendi com Josef Koudelka

Koudelka é um excelente fotógrafo e as suas fotografias são bastante inspiradoras, mas além de apreciar o seu estilo de fotografia, há três coisas básicas que aprendi com Koudelka, que são as seguintes; seguir a intuição, ser rigoroso na composição e permanecer interessado na fotografia. Quando lhe perguntavam porque é que dedicou tanto tempo a fotografar ciganos, ele afirmava simplesmente que não foi por causa do estilo mas sim pelo assunto. Partia para a fotografia com a mente em branco e sem ideias pré concebidas. Seguia a sua intuição e fotografava apenas o que lhe interessava. Quando andamos pelas ruas, nem sempre precisamos de uma razão específica para fotografar determinado assunto. Às vezes não devemos prestar atenção á voz do “editor” na nossa cabeça, que nos diz para não fotografar “aquilo”, porque não tem interesse nenhum.

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© Fernando Kaskais

Sobre a composição Koudelka, que era (e é) engenheiro aeronáutico afirmava que não há boa fotografia sem boa composição, e justificava  que os aviões voam porque há equilíbrio. É uma magnífica metáfora para explicar o que é a composição na fotografia, é equilíbrio. Para ele, e na verdade para todos nós, um dos principais feitos da composição é adicionar equilíbrio á forma das imagens. Há uma série de regras na composição fotográfica, mas todas elas apontam para um único ponto, o equilíbrio, mesmo que seja “desequilibradamente”, a imagem tem que estar equilibrada. Koudelka é um fotógrafo fantástico porque conseguiu “casar” composição e “conteúdo”. As suas fotos além de muito bem “compostas”, tem uma “alma” tremenda, algum mistério e são bastante enigmáticas.

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© Fernando Kaskais

Para permanecer interessado na fotografia por mais de 45 anos como Koudelka permaneceu, é preciso ter amor e paixão por aquilo que se faz, neste caso pela fotografia. Mesmo Cartier Bresson, ao fim de 30 anos a fotografar, saturou-se da fotografia e virou-se para o desenho e para a pintura. Koudelka interessou-se por novos formatos (35mm) e por novas abordagens, e isso manteve-o ligado á fotografia. Resumindo e concluindo, a fotografia é fascinante, mas se não houver um engajamento na arte, e um contínuo renovar do olhar, mais tarde ou mais cedo, aparece um período de desinteresse. Isso passou-se com muitos fotógrafos, incluindo Cartier Bresson, e em parte comigo (passe a imodéstia da comparação), que durante uns anos não fotografei tanto como devia. Por isso, e para mim, a ideia base a tirar da experiência de Koudelka é: FOTOGRAFAR, FOTOGRAFAR, FOTOGRAFAR, depois, logo se vê. Boas fotos.

© Fernando Kaskais
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