O que aprendi com Alfred Stieglitz

© Fernando Kaskais

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O que aprendi com Alfred Stieglitz

 

Mesmo quem não tem uma formação “clássica” de fotografia, sabe (ou deveria saber) quem foi Alfred Stieglitz, pois ele foi praticamente o “pai” da fotografia, como fotógrafo, editor, curador e incansável promotor da fotografia. Foi também o primeiro fotógrafo a ter as suas fotos expostas num museu, ainda num tempo em que a fotografia não era considerada arte. A fotografia moderna deve-lhe muito, senão tudo, quase tudo. Aprende-se muito com este senhor, mas vou tentar resumir as ideias dele que mais me marcaram.

1º Pré-visualização. Ou seja, ainda antes de fotografar, o fotógrafo deve tentar visualizar (imaginar) a imagem na sua cabeça. A seguir deve tentar executá-la da maneira mais fiel possível àquilo que imaginou. Como é óbvio, isto não é uma regra inquebrável. O fotógrafo deve ser suficientemente maleável para poder improvisar outra coisa diferente daquela que imaginou, se as circunstâncias, e a foto, assim o exigirem. Mas a ideia de se saber aquilo que se quer fazer, pode ajudar e muito na elaboração da fotografia.

2º Expressar o sentido estético através da fotografia. Como saber o que devemos fotografar? Devemos fotografar aquilo que nos excita, devemos fotografar quando nos sentirmos motivados mentalmente, visualmente ou espiritualmente. Stieglitz estava mais interessado na auto-expressão do que na ideia de arte. Aliás, Stieglitz afirmava ousadamente que a fotografia não era uma arte, mas também não era outra coisa qualquer. Segundo as suas próprias palavras:- “Photography is not an art. Neither is painting, nor sculpture, literature or music. They are only different media for the individual to express his aesthetic feelings… You do not have to be a painter or a sculptor to be an artist. You may be a shoemaker. You may be creative as such. And, if so, you are a greater artist than the majority of the painters whose work is shown in the art galleries of today.” – Alfred Stieglitz. Segundo ele, nenhuma das “belas artes” são realmente artes, mas apenas meios para o ser humano expressar o seu sentido estético e até mesmo um sapateiro pode expressar esse sentido, ou sentimento. E provavelmente tem toda a razão.

© Fernando Kaskais

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3º Criar fotos extraordinárias de cenas comuns. Não importa o sítio onde o fotógrafo vive, ao fim de um certo tempo, esse sítio por muito fotogénico que seja, torna-se aborrecido, transforma-se num cliché, e o fotógrafo muitas vezes fica “encalhado”, aborrecido. No entanto, a “arte”, e o trabalho do verdadeiro fotógrafo, é pegar no “ordinário” e transformá-lo em algo de extraordinário. É introduzir nas fotos a sua personalidade, o seu carácter. Para isso, tem á sua disposição a possibilidade de decidir o que inclui, ou exclui da fotografia, e ao fazer isso, pode criar novos significados para a realidade observada. Quando olho para uma fotografia, para além daquilo que vejo na foto, também vejo a personalidade do fotógrafo, a sua maneira de ver o mundo. A maior parte das vezes, uma fotografia fala mais do fotógrafo que a tirou, do que propriamente daquilo que aparece no enquadramento.

4º Ser um Amador. Há muito boa gente para quem o ser chamado de amador é um insulto. Errado, ser um amador na verdadeira acepção da palavra é fazer aquilo que se ama. O facto de alguém ser um fotógrafo profissional, não faz automaticamente dele (dela) um bom fotógrafo. Um fotógrafo pode ganhar, e passar a vida a fotografar casamentos, e baptizados, modelos ou objectos, e passar essa mesma vida sem fazer imagens minimamente interessantes. E também, só porque alguém é um amador, ou diletante da fotografia, isso não quer dizer que seja automaticamente mau. Alguns dos maiores artistas da história não ganharam dinheiro com a sua arte. Se alguém ama a fotografia, é um amador, e deve procurar permanecer assim, sem se preocupar em ganhar dinheiro com a fotografia. Deve é concentrar-se em fazer as melhores fotos que conseguir e puder. É evidente, que se puder juntar o útil ao agradável, o deve fazer, mas essa não deve ser a principal preocupação de quem fotografa.

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5º Permanecer criança. As crianças nascem todas artistas, ou pelo menos, nascem todas com uma visão criativa, que não está presa a regras, dogmas ou restrições. A criança segue o seu coração e não as normas sociais. Os grandes génios foram aqueles que conseguiram manter a sua visão de criança, associada á amplitude da experiência. Na fotografia, devemos manter o espírito(olhar), infantil para fotografar, e usar o olhar de adulto para editar, escolher e promover a nossas fotos. A grande lição de Stieglitz é, tentar misturar o olhar infantil, com a experiência do adulto, para tentar desvendar o segredo da criatividade. Não é fácil, mas não é impossível. Boas fotos.

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