O que aprendi com André Kertész

man best friend

© Fernando Kaskais

 

O que aprendi com André Kertész 

André Kertész é um dos maiores (melhores) fotógrafos da história da fotografia. Foi um dos pioneiros da fotografia de rua e teve um forte impacto sobre toda uma geração de fotógrafos. Incluindo o grande Cartier Bresson. Brassai dizia sobre ele :”André Kertész tem duas qualidades que são essenciais para um grande fotógrafo: uma curiosidade insaciável sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre a vida, e um sentido preciso da forma .” Quem se interessa por fotografia e pelo trabalho dos grandes mestres deve “perder” algum tempo a estudar Kertész. Eis algumas ideias dele que me parecem importantes.

1º- Ter sempre uma câmera connosco. Parece óbvio, mas por vezes não estamos para isso, para sair com a câmera, por isto ou por aquilo. Hoje em dia há câmeras tão eficientes, e tão pequenas, que não há desculpa para quem se julga um fotógrafo não trazer uma sempre consigo. Para Kertész a coisa era mais complicada, na altura da 1ª Guerra Mundial o material não era propriamente de bolso. Nos dias de hoje, com a vida tão apressada que a maior parte das pessoas tem, é difícil encontrar tempo para fotografar. No entanto, à semelhança de Kertész, se não conseguirmos fazer melhor, devemos simplesmente tentar fotografar as coisas ao nosso redor. Não precisamos de andar com DSLRs, há câmeras muito mais pequenas e bastante eficientes. A ideia é que quanto mais vezes tivermos a câmera á mão, mais fotos fazemos, e quanto mais fotos fizermos, mais aprendemos. Ou assim deveria ser.

2º- Mude de perspectiva. Kertész fotografava frequentemente de um ponto mais elevado em relação á rua. Argumentava ele que, se estamos ao mesmo nível do que fotografamos perdemos muitas coisas que estão a acontecer. Na verdade, em muitas das suas fotos tiradas do alto, conseguiu transformar a rua numa abstracção, e mostrar ao mundo uma nova perspectiva. É uma ideia que qualquer fotógrafo pode seguir, tentar fotografar do alto de edifícios ou pontes, e criar abstrações de luz, sombras e formas.

img_7922

© Fernando Kaskais

3º- Concentrarmo-nos na geometria e na forma. Kertész foi um dos primeiros fotógrafos a abraçar a fotografia como um verdadeiro meio artístico. Ele definia o seu trabalho pelas composições muito bem trabalhadas, com base na geometria e na forma. Selecionava muito bem os ângulos em que a luz atingia os seus “alvos”, assim como definia muito bem o contraste entre os negros e os brancos. Kertész não fez só “street photography”, ele também fotografou coisas tão simples e comuns como garfos, copos, flores, etc. Para ele nada era demasiado comum para ser fotografado. No entanto, quando fotografava coisas comuns, ele fazia-o de maneira a destacar a beleza aparentemente vulgar dessas coisas comuns. A ideia a reter é que não temos que fazer única e exclusivamente “fotos de rua”, devemos ,manter os olhos abertos para as coisas comuns, a chávena do café, o guarda chuva, o chapéu pendurado, eu sei lá, a lista é praticamente infinita.

4º- Esperar pelo momento certo. Kertész praticava, e muito bem, aquilo a que chamamos em fotografia – “o momento decisivo”. Ou seja, o momento em que todos os elementos de um “quadro” se unem perfeitamente. Ele dizia que toda a gente pode olhar, mas não está necessariamente a ver alguma coisa. Para um fotógrafo, não basta olhar para as pessoas, para as coisas e lugares, é preciso vê-las a um nível mais profundo. Nenhum de nós pode ter a certeza absoluta, de qual é mesmo o momento decisivo, mas devemos seguir o nosso instinto, e se juntamente com o instinto, tivermos uma boa leitura da luz e certa noção de geometria, pode ser que aconteça alguma coisa. Pode ser que aconteça fotografia.

5º- Ser um Amador. Esta é uma ideia comum a muitos grandes fotógrafos, que não viam a palavra amador como algo negativo. Normalmente associamos a ideia do amador a alguém incompetente, com fotos e composições pobres e uma fixação doentia no equipamento. No entanto, o verdadeiro significado da palavra “amador” é alguém que faz algo por amor a um determinado assunto, ao contrário de um “profissional” (alguém que faz algo por dinheiro ). Kertesz abraçava o facto de que ele era um amador em fotografia, que para ele é a mais bela forma de um indivíduo se expressar a si mesmo. Um fotógrafo não se deve sentir inferiorizado, nem ver a sua fotografia como menos importante, apenas porque não ganha a vida a fotografar. Há fotógrafos profissionais que fazem fotografias que são simplesmente más, ou desinteressantes, assim, como há fotógrafos amadores que fazem fotos fantásticas. Seja como for, faça a sua fotografia o melhor que sabe e pode, porque a mais não é obrigado. Boas fotos.

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: