Como usar a filosofia Zen na Fotografia

dsc_0060-001© Fernando Kaskais

Como usar a filosofia Zen na Fotografia

Como já disse, sou um grande apreciador da filosofia Zen e do Taoísmo. Claro que não sou um especialista em filosofia oriental, mas há algumas ideias e conceitos que nos podem ajudar no dia a dia. A filosofia Zen, pode ajudar-me na fotografia, tanto na conceptualização da mesma, como na minha maneira de fotografar. Eis algumas ideias.

1º Fotografar na rua, é meditação ambulante. Antes de ter uma abordagem mais Zen á fotografia, a minha atitude quando saía para a rua com a máquina fotográfica, era a atitude do “caçador”. Aí vou eu, “caçar” umas imagens. Agora não. Agora aprecio o meu passeio, calmamente, com a minha câmera na mão. Procura libertar a mente de pensamentos intrusivos, e concentro-me em apreciar aquilo que me vai aparecendo pela frente. Concentro-me na respiração, e vou olhando metodicamente á minha volta, para cima para baixo, para a esquerda e para a direita. Faço a fotografia no momento que o meu instinto me diz para fazer.

2º Não há fotos “boas” ou “más”. Procuro não classificar as minhas fotos de boas ou más, mas sim como imagens de coisas que vi ou experimentei. No Zen/Taoísmo, há um grande cuidado em não classificar as coisas como boas ou más, elas são aquilo que são. Quando classificamos uma foto de boa, ou de má, estamos a usar as nossas noções pré-concebidas de cor e percepção. Em última instância, haverá fotos que nos são mais próximas, e outras que o serão menos. Regular a nossa auto estima, pelo número de likes que recebemos com uma fotografia numa rede social, é uma má ideia. Ou pelo menos uma ideia bastante pobre do que deve ser a fotografia.

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© Fernando Kaskais

3º Encontrar beleza em tudo. A fotografia é um meio de apreciar a beleza do mundo, e essa beleza pode estar num reflexo, num prédio em ruínas, nas rugas de uma cara, no por-do-sol ou no sorriso de uma criança. Podemos procurar o fantástico, a loucura e o surrealismo, como eu procuro constantemente, mas não devemos voltar as costas ao pequeno pormenor, ao comum, ao vulgar, porque dependendo da nossa habilidade no uso da câmera, podemos transformar essa mesma banalidade em algo de especial. E partilhá-lo.

4º Adoptar a mentalidade de uma criança. Na verdade, a criança, é o mais sábio dos humanos. Quando somos crianças, somos curiosos, brincalhões, e não colocamos restrições á nossa própria criatividade. Experimentamos e pensamos em coisas novas. Não nos armamos em “especialistas” de coisa nenhuma, com as ideias fossilizadas nesse assunto. Simplesmente gostamos de nos divertir. Agora que somos especialistas, e sabemos tudo sobre composição, regras e teorias da fotografia, devemos mandar tudo isso às urtigas, e simplesmente fotografar pelo simples gozo de fotografar. Tal como uma criança, devemos fotografar tudo aquilo que nos dá na veneta. E não nos preocuparmos com aquilo que os outros possam pensar.

5º Desaprender. Uma das coisas que aprendemos no Zen/Taoísmo, é a esvaziar a mente. Agora que já estudamos todos os mestres, todas as técnicas, e todas as regras, escritas e não escritas, estamos sobrecarregados de informação. Assim, quando queremos fotografar, é muito natural que fiquemos bloqueados. Pensamos no que este, ou aquele faria, ou como faria, como deve ser este enquadramento, como devo tratar esta luz, e por aí fora, de tal maneira que, acabamos por não fotografar nada de uma forma natural, e exclusivamente nossa. O Zen pode ajudar a “empurrar” todo esse conhecimento para o fundo do cenário, ele está “lá”, mas não perturba o que estamos a fazer “aqui” e agora. Sabemos que sabemos, mas não deixamos que essa sabedoria nos esmague, e espartilhe a nossa criatividade. É um bocado como andar de bicicleta, quando vamos a andar, não vamos constantemente a repetir para nós mesmos “eu sei andar de bicicleta, eu sei andar de bicicleta.” Simplesmente andamos. Se o ao fotografarmos, sentimos setresse, ansiedade, ou medo da vida, é porque estamos a fazer qualquer coisa de errado. Ser fotógrafo é desfrutar da “simplicidade” da fotografia e da vida, não nos levarmos muito a sério e explorar constantemente o mundo á nossa volta. Boas fotos.

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

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