O que aprendi com Bruce Gilden

gilden 4© Fernando Kaskais

O que aprendi com Bruce Gilden

Bruce Gilden é um dos grandes fotógrafos actualmente vivos. Também é um dos street-photographer mais controversos, e talvez um dos mais incompreendidos. Eis algumas das suas “lições”.

1º Fotografe aquilo que você é. Não tente imitar o trabalho dos outros fotógrafos, seja genuíno, seja você mesmo. É evidente, que todos nós sofremos as influências dos grandes mestres da fotografia, uns mais, outros menos, mas devemos tentar livrar-nos disso o mais cedo possível. Gilden, não se preocupa em tentar parecer ser alguém, que na realidade não é. Por exemplo, “toda a gente” tenta imitar Cartier Bresson, mas esquecem-se que Bresson era um homem tímido, introvertido, que não gostava de ser fotografado. O modo como ele fotografava reflectia a sua personalidade. Gilden é o oposto de Henri Cartier-Bresson. Gilden é uma pessoa extremamente simpática e social. Ele fotografa muito, mas também gasta muito tempo interagindo e comunicando com as pessoas que fotografa. Ao contrário de Henri Cartier-Bresson que era sorrateiro e esquivo. Até porque, o estilo de fotografia de Gilden é muito próprio, ele usa uma lente 28mm e um flash, que dispara praticamente na cara das pessoas, o que lhe permite fazer aquelas fotos impressionantes, de rostos completamente alucinados. Isto quer dizer que, se você for um fotógrafo tímido e introvertido, e se se sentir desconfortável interagindo com estranhos, provavelmente não é uma boa ideia começar a fotografar a menos de um metro de distância das pessoas. Assim, talvez seja preferível agir mais no estilo de Cartier Bresson.

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© Fernando Kaskais

2º Fotografe a Humanidade. Se gosta de fotografar pessoas lembre-se que Gilden, incorpora-se profundamente na sociedade em que fotografa, como está perfeitamente documentado no seu livro “Haiti”. Ele não foi para lá apenas como um foto-jornalista estrangeiro, tirar fotos da destruição, e depois, simplesmente vir embora. Ele passou muito tempo (quase 11 anos) a conhecer o povo do Haiti e a documentar sua vida quotidiana, isso faz com que o espectador se sinta como uma parte da sociedade Haitiana.

3º Crie composições não convencionais. As fotos de Gilden transmitem energia e adrenalina, não só porque são tiradas com uma 28mm, mas também porque são tiradas de ângulos extremamente baixos, fazendo as suas personagens parecerem maiores do que realmente são. Assim sendo, não tente fazer todas as suas composições da mesma maneira colocando as suas personagens mesmo no meio do enquadramento, usando a regra dos terços. Tente ângulos diferentes, e se lhe apetecer corte as faces ou as cabeças das pessoas (foto-graficamente falando, claro). Não fique preso pelas regras convencionais da composição, tente libertar-se e inovar.

backup-12930© Fernando Kaskais

4. Criar mistério. As melhores fotografias são aquelas que fazem mais perguntas do que as que dão respostas. Não basta criar fotos que contam uma história. É sempre preferível ,mostrar menos, do que mostrar demais. Crie um ar de mistério nas suas fotografias, e deixe o espectador criar uma história na sua própria cabeça sobre o que está acontecendo naquilo que está a ver. Se conhece o trabalho de Gilden, sabe ao que é que eu me refiro, basta lembrar-se das suas fotos sobre a Yakuza em Tóquio. Se não conhece o trabalho de Gilden, talvez esteja na altura de conhecer.

5. Continuar pelas mesmas ruas abrindo novos caminhos. Se não sai do mesmo sítio, cidade ou vila, e está farto de fotografar as mesmas coisas, lembre-se de Gilden que há muitas décadas fotografa as ruas de Nova York. Eu sei que NY é diferente de outra cidade qualquer, mas a ideia é, como é que se pode visitar os mesmos lugares uma e outra vez, repetidamente, e mesmo assim descobrir novos caminhos, e inovar? Todos nós, mais tarde ou mais cedo, nos cansamos dos sítios onde vivemos, por isso, o truque é tentar ver as coisas com os olhos de uma criança, que vê as coisas sempre com novos olhos. Sinta-se como um turista na sua própria cidade. Seja persistente e encontre diferenças subtis naquilo que já conhece, nem que seja no seu próprio quintal. Boas fotos.

© Fernando Kaskais
© Fernando Kaskais
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