O que define um bom fotógrafo?

© Fernando Kaskais

O que define um bom fotógrafo?

Normalmente, sabemos definir aquilo que distingue uma boa fotografia, mas talvez não seja tão fácil definir aquilo que “faz” um bom fotógrafo. Que características particulares são úteis para ajudar alguém a tornar-se num bom fotógrafo? E na verdade, será que isso importa? Talvez, para quem queira fazer uma auto-avaliação, e ao mesmo tempo queira melhorar como fotógrafo. Obviamente, a resposta a esta pergunta vai depender muito do tipo de fotógrafo que a pessoa quer ser. De uma coisa podemos ter a certeza,  não é o equipamento! Não é por alguém usar o último modelo, de uma camera topo de gama, de qualquer uma das marcas de top, que se vai tornar um bom fotógrafo. E o inverso também é verdade, um bom fotógrafo consegue fazer boas fotos com uma simples camera point-and-shot. Na minha perspectiva há 10 características que são fundamentais para definir um bom fotógrafo, como é óbvio haverá outras, dependendo das expectativas de cada um. Sem ser por alguma ordem em particular, elas são as seguintes:

Curiosidade. Fundamentalmente, a arte da fotografia é sobre transmitir uma visão, a nossa visão, de maneira que possa ser apreciada por um observador externo. As melhores fotografias tendem a ter uma visão original, ou incomum que difere da norma. O fotógrafo tem que estar disponível, pelo menos sub-conscientemente, a questionar-se porque é que as coisas são sempre vistas de uma certa maneira, e se existem outras formas possíveis de ver que possam ser interessantes. Ele, ou ela, deve estar aberto a explorar outros estilos, assuntos e métodos de fotografia. A inspiração pode vir de qualquer lugar.

Uma consciência apurada da qualidade da luz. Se não há luz, não há fotografia, é tão simples quanto isto. Uma das minhas maiores mudanças a nível criativo, surgiu quando comecei a procurar a luz em vez de temas. É tão simples quanto isso, encontre a luz e deixe que os temas venham até si. Agora, nem sequer me dou ao trabalho de sair com a camera se a luz é fraca. Ou saio se quiser fazer algo muito específico com aquele tipo de luz. Uma vez ou outra, até conseguia fazer umas fotos aceitáveis com má luz, mas eram precisamente isso, aceitáveis.

© Fernando Kaskais

Alta capacidade de observação, e altíssima capacidade para não ser observado. É importante manter os olhos bem abertos. Nunca se sabe de onde é que uma potencial excelente foto pode surgir. A realidade é que se estamos a fotografar na rua, não podemos controlar todos os elementos que compõem o cenário. A invisibilidade, ou a capacidade para não se ser notado, e não chamar a atenção sobre nós, é especialmente importante para qualquer tipo de reportagem, ou de trabalho, onde não queremos interferir com a cena, para não mudar o resultado da imagem.

Preparação e capacidade de trabalhar rápido. Não faz nenhum sentido ser capaz de ver uma boa foto a formar-se á nossa frente, e não sermos capazes de a capturar porque nos esquecemos de tirar a tampa da lente, ou porque o cartão de memória estava cheio, ou ficamos sem bateria. A juntar a isto, convém ter uma boa capacidade de antecipação, um segundo ou dois pode fazer a diferença. Além de permitir carregar calmamente no obturador, em vez de disparar a tremer por causa da ansiedade. Trabalhar rápido significa não perder o momento, mesmo quando as situações envolvem sujeitos relativamente estáticos, como, digamos, prédios, letreiros, árvores, pedras, paredes, e as montanhas numa paisagem, mesmo assim, o fotógrafo tem que se mover rapidamente porque a luz ideal muda e desaparece muito depressa.

A capacidade de abstracção. Este é uma característica um pouco mais difícil de explicar e menos óbvia. Trata-se de conseguir um bom equilíbrio composicional. Um bom fotógrafo deve ter uma excelente capacidade de abstracção. Ou seja, libertar a mente consciente do assunto que está a fotografar, e ver esse mesmo assunto como um conjunto de formas geométricas. Isso permite-lhe equilibrar mais facilmente essas mesmas formas na composição, garantindo que todas elas tem um espaço destacado, ou enquadrado de uma forma homogénea. Por exemplo, podemos olhar para um retrato como um círculo sentado em cima de um quadrado, ou de um trapézio.

© Fernando Kaskais

Boa técnica de disparo. Não deve haver coisa mais frustrante do que ter uma cena, ou um momento raro, para fotografar, e arruinar essa foto por má exposição, imagem desfocada ou pela trepidação da camera. A única maneira de contornar isto é praticar, praticar e praticar mais ainda. Os bons hábitos de fotografar devem tornar-se como uma segunda natureza. A estabilidade, e a minimização dos movimentos devem estar no topo da lista de prioridades. Focagem adequada e exposição, devem ser tão mecanizadas como atar os atacadores. Se tem as mãos trémulas, fotografe encostado a alguma coisa, ou use um tripé. Procure uma camera com estabilizador, ou fotografe encostando bem a camera ao seu rosto.

Conhecer bem o equipamento. Estar confiante com a nossa camera tanto inspira confiança aos clientes (se os tivermos), bem como nos mantém calmos enquanto fotografamos. Isso também significa que é menos provável que percamos uma foto porque um botão faz algo diferente do esperado, ou a camera está no modo errado. Claro que, quanto mais cameras tivermos, mais difícil isso se torna, nesse caso, simplesmente temos que fotografar mais para manter tudo familiar.

Alguma conhecimento da arte clássica. Os pintores da velha escola não só tinham uma grande quantidade de tempo para aperfeiçoar o seu ofício, mas também graves limitações na tecnologia. Isso dava-lhes a liberdade de observar e praticar; Hoje em dia, quantos fotógrafos tomam decisões conscientes sobre o uso da cor para criar emoção, por exemplo? Ou controlar a luz para um nível de precisão suficiente, de modo que todas as partes da imagem sejam iluminadas como o desejado, não exigindo assim grande pós-processamentos? As limitações tecnológicas, obrigavam os pintores clássicos a pensar: por não terem meios fáceis de reproduzir a realidade facilmente, foram forçados a compreendê-la e a desconstruí-la no processo de recriá-la.

© Fernando Kaskais

Uma boa compreensão do nosso estilo pessoal. Devemos jogar com as nossas melhores armas, para realçar os nossos pontos fortes. Mas para isso, primeiro temos que compreender quais são esses pontos fortes, e as nossas preferências, e não há como fazer isto sem saber de que gostamos, e porque é que gostamos. Lembre-se daquela velha máxima – “Conhece-te a ti mesmo”.

A capacidade de criar luz. Para fazer uma boa fotografia, precisamos de ter boa luz; Para encontrar boa luz, temos de ser observadores; Devemos ter a habilidade para capturá-la como previsto, e não cometer erros de ordem técnica. Mas há momentos em que não conseguimos encontrar a luz que queremos, ou que temos em mente, mas que não existe naturalmente; A única solução é ter poder sobre a luz; Imaginar o que é necessário, e como consegui-lo, capitalizando a luz existente e moldá-la para se adequar aquilo que queremos fazer. Por exemplo, alterando os valores do ISO da câmera, ou se for possível, e desejável, usar um tripé, ou um flash correctamente.

Esta é uma ideia sobre algumas qualidades de um bom fotógrafo. Agora, se esse mesmo bom fotógrafo faz excelentes fotografias, ou apenas, “fotografias razoáveis”, isso já é outra história. No fundo, o importante é saber responder às seguintes perguntas: – Que tipo de fotógrafo é que somos? Ou, mais importante ainda, que tipo de fotógrafo queremos ser? Boas fotos.

 

 

© Fernando Kaskais

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