Rainer Maria Rilke e a Relevância da Poesia na Fotografia parte II

 

© Fernando Kaskais

Rainer Maria Rilke e a Relevância da Poesia na Fotografia parte II

Continuação…

5ª – “As nossas dúvidas podem tornar-se em  boas qualidades se as soubermos treinar. Devem tornar-se em saber distinguir,  em saber criticar. Pergunte a si mesmo, sempre que quiser saber se algo é realmente feio. Habitue-se a exigir provas disso, e a testá-lo (…) na vez de ser um destruidor, torne-se um bom construtor. Talvez o mais inteligente de todos. Pense no que está a fazer com  a sua vida.” Todos nós duvidamos das nossas capacidades de vez em quando, é perfeitamente normal e isso significa que nos importamos com o que fazemos. Todavia, a dúvida pode transformar-se numa falta de confiança contínua e confirmada. Nunca devemos deixar que a dúvida seja o factor decisivo na qualidade do nosso trabalho. Se tiver duvidas, use-as como um ponto de partida para fazer perguntas. Perguntas sobre o trabalho que queremos fazer, e não sobre nós mesmos. Ao analisarmos o nosso trabalho, percebendo o que funciona e o que não funciona numa determinada imagem, tornamos-nos melhores em perceber de que é que estamos á procura, e como o podemos capturar. Seja crítico. Auto crítico. A crítica (quando bem feita) é uma das ferramentas mais poderosas para a melhoria de um estilo. Onde a dúvida nos deixa a navegar sem rumo, e nos afecta a autoconfiança, a crítica construtiva pode fazer com que consigamos articular e esclarecer as diferentes qualidades na nossa fotografia, dando-nos uma melhor compreensão do que é que devemos melhorar. Então, da próxima vez que sentir a dúvida a instalar-se insidiosamente, mude para o pensamento racional, e na vez de afundar num pântano improdutivo, de auto comiseração, torne-se melhor naquilo que gosta de fazer!

 © Fernando Kaskais

6ª – “Se vai andar pelo meio da natureza, tome atenção à sua simplicidade, às pequenas coisas dificilmente perceptíveis,  que quase ninguém vê, essas pequenas coisas inesperadamente, podem tornar-se grandes e incomensuráveis.” A maravilha e a beleza estão ao nosso redor, podemos encontrá-las nos lugares mais inesperados. Esteja alerta para as coisas pequenas e simples, no seu meio ambiente, pode usá-las de uma forma poética e transformar o trivial em mágico. É um dos poderes que um fotógrafo tem, tornar visível a beleza em coisas que às vezes estão demasiado perto para as reconhecermos. A beleza pode estar no olho do espectador, mas usando a câmera podemos ser capazes de enfatizar e compartilhar essa beleza com o mundo. Pequenos gestos podem tornar-se grandes metáforas.

 © Fernando Kaskais

 – “Finalmente, eu, gostaria apenas de aconselhá-lo a crescer através do seu desenvolvimento em silêncio e seriamente; Você pode interrompê-lo de uma maneira não violenta, olhando para fora de si, e esperando respostas de fora para perguntas que talvez apenas o seu sentimento mais íntimo nas suas horas mais silenciosas possa responder.” Voltamos ao que já foi mencionado na primeira citação: – Tente não confiar (ou depender) da, e na, aprovação externa. Leve-se a sério, e aproveite bem o seu tempo, para tentar tornar-se o melhor que conseguir ser. Estude, leia, escreva, e sobretudo fotografe, muito. E lembre-se, tudo é fotografável, ou susceptível de ser convertido em fotografia. Com um bocado de sorte, e algum talento á mistura,  tudo se pode transformar numa boa fotografia.

  © Fernando Kaskais

 – “Ter paciência com tudo que não esteja resolvido no nosso coração e tentar amar as perguntas em si mesmas, como se fossem quartos fechados ou livros escritos numa língua estrangeira. Não procure as respostas, que não lhe poderiam ser dadas agora, porque não seria capaz de compreendê-las.” É uma coisa que acontece comigo, frequentemente, fico na duvida em que ponto é que estou na minha capacidade de fazer fotografia. No que devo fazer, e como devo fazer. Se vale a pena fazer ou não.  Como é que posso fazer algo de diferente? Muitas perguntas, e nenhuma resposta. Quando isso acontece, acabo por andar em círculos a discutir comigo mesmo. Até que, por fim, abro mão da minha necessidade de controle, e as respostas aparecem. Não como respostas literais e definitivas, mas como oportunidades que vão surgindo. Até parece que os “deuses” da fotografia ouviram a minha conversa comigo mesmo, e decidiram esclarecer-me.  É uma coisa que estou a aprender aos poucos, a sentir-me confortável com o facto de não saber determinada coisa. Porque a verdade é que, por muito que saibamos, haverá sempre qualquer coisa que desconhecemos.   As respostas não aparecem quando a gente quer, ou quando chamamos por elas. As respostas aparecem, quando estivermos prontos para elas, é algo que não podemos forçar. Por vezes, tão importante como ter uma resposta, é saber o que perguntar.   Há muito mais a aprender com Rilke, mas por agora fico-me por aqui. Boas fotos.

© Fernando Kaskais

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