Sobre o “Belo” e o “Feio” ou, o “Bom” e o “Mau” na fotografia.

© Fernando Kaskais

Sobre o “Belo” e o “Feio” ou, o “Bom” e o “Mau” na fotografia.

Uma foto de algo feio pode ser bela (boa), e uma foto de algo belo, pode ser feia(má)? Pessoalmente, tenho uma certa aversão em criticar as fotografias dos outros. Acho que as fotografias são todas válidas, enquanto fotografias, cada uma á sua maneira e como é óbvio, há umas mais válidas, ou mais interessantes do que outras. Classificar uma foto de feia ou bonita, é um pouco subjectivo, porque o que é que determina o bonito e o feio? A fealdade, em qualquer elemento, é a determinação de uma distância entre observado e observador: afasto-me do que é feio, e aproximo-me do que é belo. A beleza é um convite á aproximação, é uma sedução, e a fealdade uma ameaça, um convite para que os observadores se afastem. Qual é o objectivo de uma fotografia, a não ser um registo de um único ponto de vista? Idealmente, esse ponto de vista deve desencadear algum tipo de emoção, boa ou má, porque certamente se não há emoção provocada no espectador, então a imagem não tem nenhum impacto e, portanto, não será lembrada! Importa também saber se a emoção é positiva ou negativa?

Isto pode parecer uma pergunta estranha, mas parece que hoje em dia a maioria das imagens estão inclinadas para o lado positivo. Os assuntos do costume que enchem as redes sociais, gatos, cães, flores, comida, pôr do sol, nascer do sol, arco-íris, etc. são assuntos seguros e não provocam controvérsia, além de fazerem o fotógrafo sentir-se popular. No entanto, num plano mais obscuro, podemos recordar que a guerra, a pobreza, o desastre, o crime e as outras partes grotescas da humanidade vendem imagens, e jornais. Essas imagens (feias) violentas despertam um tipo muito diferente de emoção e reacção.

© Fernando Kaskais

Para que algo nos provoque uma emoção, esse algo deve tocar as nossas mentes num nível irracional, e é nesse nível do subconsciente que reside o núcleo da beleza ou da fealdade. Há um conjunto de regras para definir as simetrias, ou assimetrias, de uma fotografia, mas esse conjunto de regras não consegue explicar porque é que uma foto aparentemente desequilibrada pode ser interessante, e vice versa. Outro paradoxo é que, o “bom” e o “mau” funcionam de uma maneira independente do “belo” e do “feio”. Ou seja, o “belo” não tem que ser necessariamente “bom” e o “feio”, não tem que ser obrigatoriamente “mau”. Aliás, uma bela imagem, de um objecto muito feio, acaba por causar sentimentos conflituosos.

Uma das conclusões que podemos tirar destas reflexões, é que enquanto fotógrafos não devemos ficar preocupados (ou convencidos) se as nossas imagens agradam, ou desagradam, a quem as vê. Devemos ficar preocupados é se não provocarem reacção nenhuma. Porque isso significa que não funcionam. Em termos práticos, isto obriga-nos enquanto fotógrafos, a separar a natureza, ou a função real do objecto que fotografamos, da nossa intenção quando criamos a imagem. Não podemos ver uma árvore como uma árvore, sem as emoções que ela transporta consigo. Muitas fotos não resultam devido a esta armadilha, a natureza física e a identidade do objecto fotografado, dominam para lá da ideia que motivou a imagem.

© Fernando Kaskais

Ou seja, a fotografia torna-se em nada mais, nada menos, do que a interpretação literal do assunto fotografado. Quando isso acontece a foto perde a capacidade de influenciar o pensamento de quem a vê, para além do que lhe foi atribuído pelo objecto que ela representa. Em termos práticos isto quer dizer que para conseguirmos fazer uma imagem com impacto, devemos ser capazes de ir para além da emoção associada a um determinado assunto, e vê-lo tanto da perspectiva do público, que emoções vai provocar? Como na perspectiva puramente artística / fotográfica. Assim, um objecto (pessoas, ou outra coisa qualquer) torna-se mais do que forma, luz e cor, para ser integrado numa composição maior como um elemento harmonioso para produzir um efeito visual esteticamente agradável, mesmo que esse objecto isoladamente seja feio e desinteressante. Na verdade, a beleza de uma ideia pode transcender a do objecto, se soubermos aquilo que queremos fazer. Uma amálgama de pedras e paus, ou de tubos e ferro velho, pode dar origem a uma fotografia interessante. Usando a fotografia, podemos criar ordem e lógica num mundo caótico. Boas fotos.

© Fernando Kaskais
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