Sobre críticas e críticos.

© Fernando Kaskais

Sobre críticas e críticos.

Já disse anteriormente que não gosto de criticar fotografias alheias, mas para quem tenha, ou queira fazer críticas, ou até para quem recebe críticas, aqui vão algumas ideias. A arte da crítica é algo que infelizmente é subestimado e subutilizado. Não há falta de imagens na internet, e esse número continua aumentando, mas, no geral, é difícil dizer se o volume tem qualquer correlação com a qualidade, com o discernimento ou com a capacidade de edição. Responder às imagens com likes, ou com alguns GIFs animados muito estranhos, não é realmente construtivo, e o fotógrafo não recebe nenhuma informação útil com a qual possa fazer uma imagem melhor na próxima vez. Não há nenhuma maneira fácil de explicar certas coisas, existem limitações inerentes ao meio visual que são muito difíceis de expressar em linguagem verbal. No entanto, se quer criticar fotografia pode seguir estes princípios:

Para o Crítico – Ser objectivo, embora seja impossível eliminar completamente os preconceitos pessoais, porque afinal, toda a arte interpretativa é subjectiva, tentar separar o “gostar” e o “não gostar” de coisas que realmente não funcionam, por exemplo, imagem desfocada, ou indistinta. Procurar  por exemplo que,  o facto de que não gosta de gatos o possa impedir de apreciar a composição e execução de uma boa foto feita com felinos.

Ser educado e directo – Olhando para uma grande parte dos fóruns da internet, parece que infelizmente não podemos ter isto como regra. Não me refiro ao Facebook, onde é tudo maravilhoso e fantástico, no que diz respeito às fotografias dos amigos, mesmo que estas sejam de uma banalidade atroz. Quando criticar, devemos tentar ser específicos e dar exemplos, sempre que possível, ver se somos capazes de identificar um elemento específico na imagem que não funciona. Melhor ainda, procurar dar sugestões sobre como pensamos que as coisas poderiam ser alteradas para melhorar a imagem, e por melhorar, significa aquilo que melhor se ajusta ao objectivo pretendido. Ver a imagem do ponto de vista do fotógrafo, e se possível, procurar encontrar algo positivo, ou pelo menos  ser equilibrado, somos todos humanos, e um pouco de incentivo pode ajudar a percorrer um longo caminho.

© Fernando Kaskais

Para o Criticado – Escolher o público alvo. Enquanto fotógrafos, se queremos mostrar o nosso trabalho a alguém, devemos tentar mostrar o nosso trabalho ao público certo. Isto pode parecer uma ideia óbvia, mas na era actual de rápida proliferação electrónica, as nossas imagens podem espalhar-se pela rede para além do nosso controle. Se alguém quer uma crítica séria, não é no Facebook, nas páginas dos amigos que a vai encontrar. Devemos procurar-se sites dedicados á fotografia, e estar preparados para aquilo que os outros fotógrafos (totalmente desconhecidos) tem a dizer. Isto na Internet, como alternativa, no mundo real podemos procurar outros fotógrafos (com alguma experiência), conhecidos, ou não, e mostrar o nosso trabalho. Se tomarmos esta decisão, devemos fazer isto com a mente aberta, e com um grande poder de encaixe. Afinal, em certa medida, humilhamos-nos perante outrem para aprender alguma coisa, mais tarde, podemos decidir se a crítica é relevante ou não.

Lembre-se, Isto não é Pessoal – Ou não deve ser, no entanto, por mais objectivo que o crítico tente ser, mesmo o crítico mais imparcial, é impossível eliminar completamente todos os elementos que compõe o olhar pessoal. A fotografia em si mesma é tendenciosa. Ela representa a nossa interpretação do mundo, baseada nas nossas próprias experiências e preferências.Tudo é subjectivo, tanto a nossa interpretação de história, como a reinterpretação do crítico dessa mesma história. Se por acaso a crítica for pessoal, então provavelmente não é tão importante, mas isso depende de quão importante essa pessoa é para nós, e se a sua aprovação é fundamental para a nossa identidade enquanto fotógrafos. O meu conselho é, nunca permita que isso aconteça. Nunca devemos deixar ninguém decidir o nosso valor enquanto fotógrafos. Mesmo que seja a reencarnação do Henri Cartier Bresson .

Evitar circunstâncias atenuantes. – Se temos que explicar a fotografia, se temos que dizer ‘sim, mas …’ como uma desculpa para tentar explicar o porquê de uma imagem não funcionar, então provavelmente, ela não funciona mesmo. Temos que nos lembrar que nem sempre podemos estar presente para explicar as nossas imagens. Elas, podem naturalmente, ser vistas independentemente da presença do fotógrafo. Nem todos os comentários são úteis, e cabe ao fotógrafo determinar aqueles que o são. A única maneira que podemos fazer isso de forma significativa é mantendo uma mente aberta. Há sempre uma próxima vez, nenhum de nós é perfeito como fotógrafo, e todos queremos fazer fotos melhores. Lembre-se disso e lembre-se também do que é que tem de corrigir nas suas fotos. Para o crítico e para o criticado, lembrem-se que não existe nada absoluto na fotografia. Isso está na natureza da fotografia. Há sempre excepções á regra, e imagens que funcionam quando tudo indicava o contrário. Boas fotos.

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

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