A Fotografia é uma Democracia

© Fernando Kaskais

A FOTOGRAFIA É UMA DEMOCRACIA

Eu adoro a fotografia por várias razões, uma delas é por ser a forma de arte mais democrática que existe. Embora, de vez em quando, haja algumas multinacionais, e alguns iluminados, que a querem transformar numa ditadura, criando modas, conceitos, tentando definir o que é “arte”. Felizmente, a fotografia não é um país, é mais um continente, demasiado grande para ser controlado, ou colonizado.

1º  Somos todos  fotógrafos. Há pessoas que “fazem” (tiram) fotografia, não interessa se há muitos, ou poucos anos, e que tem um mantra que é o seguinte “agora, toda a gente acha que é fotógrafo”. Dizem isto porque tem um equipamento sofisticado, publicaram alguma coisa, fizeram uma exposição, são “profissionais”, ou simplesmente atribuem a si próprios um estatuto imaginário. Eu é que sou o verdadeiro fotógrafo porque, blá, blá, blá ... Como é óbvio isto é um disparate. Porquê? Porque na verdade, hoje em dia, toda a gente é fotógrafo. Também é verdade que, nem sempre foi assim, no tempo do analógico (no milénio passado), quem não soubesse o mínimo sobre aberturas, velocidades, profundidade de campo, exposição, e composição, arriscava-se a colocar um filme na máquina, e não fazer uma única foto que se aproveitasse. Nos dias de hoje, uma boa fotografia pode ser feita por um “não fotógrafo“,  ou seja, qualquer pessoa pode fazer uma fotografia artística com uma câmera de treta, ou um smartphone foleiro, mesmo sem ter a mínima noção do que é a FOTOGRAFIA.  Agora, resta saber se a pessoa  que pontualmente faz uma, ou outra, boa fotografia, é, ou  não, um fotógrafo, definindo como fotógrafo alguém que  consegue fazer um trabalho consistente no tempo, e estabelece uma opção estética (criar um estilo).

© Fernando Kaskais

2º –  E se minha câmera for uma treta? É simples, se a sua câmera ou smartphone for uma bosta, basta fotografar a preto e branco, e em alto contraste. Se a foto tiver grão e estiver ligeiramente desfocada pode remeter o espectador para as fotos analógicas de quarenta ou cinquenta anos atrás. Desde que o assunto e a composição sejam interessantes o resto passa para segundo plano. Há quem faça coisas muito interessantes com uma pinhole, e há inclusive quem faça uma pinhole de uma caixa de fósforos. Eu por vezes, faço fotografia sem câmera. Os meus olhos registam determinada cena, que eu espero um dia reproduzir em foto. Por exemplo, vi uma vez um pescador fazer um lançamento com a cana, que era um gesto técnico perfeito, cheio de beleza e estilo. Já fotografei vários pescadores á procura dessa imagem. Na verdade, o equipamento não interessa, porque há fotógrafos, ditos “profissionais” que fazem fotografias miseráveis, e há fotógrafos “curiosos”, que fazem fotografias muito interessantes.

© Fernando Kaskais

3º – Por que é queremos comprar câmeras caras, ou muito caras? Por várias razões. Uma delas é a baixa auto-estima, e a ideia errada que uma câmera de determinada marca, e caríssima, fará de nós melhores fotógrafos e nos dará algum respeito. O facto de termos uma câmera que parece “pro”, não quer dizer que adquirimos automaticamente um olhar mais “pro”. Termos uma câmera igual á do H.C. Bresson, não significa que tenhamos também o mesmo “olhar”. Isso só demonstra o quanto estamos preocupados com o que os outros pensam de nós.  É o mesmo princípio que usamos, quando pensamos que comprar um carro desportivo, faz de nós homens mais másculos, e mais interessantes. Ou uma mulher pensar que fica mais feminina por usar Chanel. Não é uma nova máquina, mais cara e mais sofisticada, que nos tornará mais inspirados e mais criativos.

© Fernando Kaskais

4º – Desconfiar de blogues de fotografia ou Web sites. Que aconselham equipamento. Neste blogue, não falo sobre equipamento, nem nunca recomendei, nem recomendo, qualquer câmera ou marca. Ou qualquer material técnico. Para mim, isso é o mesmo que ter um blogue sobre pintura, e perder tempo a falar de pincéis e tintas. Coloquei há uns tempos atrás uns links para a Amazon, que só serviram para me gerar tráfego para o blogue, mas nunca recomendei nada específico. Cada fotógrafo tem que encontrar o seu próprio equipamento, o que quer ter, ou o que pode ter. É de desconfiar uma analise sobre qualquer câmera que tenha um link de afiliado. Nos dias de hoje, há milhares de câmeras, de todo o género e feitio, mas podem ter a certeza que não há a câmera perfeita.

© Fernando Kaskais

5º – A melhor câmera é aquela que temos connosco . Seja uma Leica, uma Nikon, Canon, Sony, ou um smartphone foleiro. É com esse equipamento que vamos fotografar, e temos que fazer o melhor que pudermos, e soubermos. Se não soubermos, não é a máquina de 5.000 € que vai saber por nós. Um bom fotógrafo faz boas fotos, seja com aquilo que for. E o contrário também é válido. Um escritor, não sente nenhuma inspiração especial por escrever num Mac, numa velha maquina de escrever, ou num bloco de notas. O que importa é escrever, passar para o papel aquilo que lhe vai na cabeça, ou na alma. É curioso como é que muita fotografia é impulsionada pela testosterona masculina.  Contudo, a maioria das mulheres realmente não se importam com a câmera que fotografam e acabam por fazer melhores fotos, de que muitos homens. Seja com que câmera for, a finalidade de ser um fotógrafo é encontrar um significado pessoal na fotografia, e na arte. É aprender a olhar, e a expressar essa mesma aprendizagem. Convêm lembrar que, a fotografia é apenas filosofia aplicada. Boas fotos.

© Fernando Kaskais

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