Sobre a Fotografia Conceptual

 

© Fernando Kaskais

Sobre a Fotografia Conceptual

O termo Arte Conceptual surge na década de 1950, quando o escultor Edward Kienholz cunhou o termo “arte conceptual” que inspirou um novo movimento, por vezes, relacionado com o minimalismo. Em vez de se concentrar na execução magistral de conceitos estéticos, este novo movimento enfatizou o CONCEITO que dá origem a uma obra de arte. Não era tanto a beleza visual da peça que era importante, ou os materiais e técnicas utilizados, mas sim a ideia que expressava. Na citação frequentemente citada de 1967, Sol LeWitt ofereceu sua explicação do processo: – “Na arte conceptual a ideia ou conceito é o aspecto mais importante do trabalho. Quando um artista usa uma forma conceptual de arte, isso significa que todo o planeamento e as decisões são tomadas de antemão e a execução é um caso superficial. A ideia em si torna-se uma máquina que faz a arte. “

Mas, e a fotografia como arte conceptual? Desde o início de sua história e até os dias de hoje que, os críticos da fotografia, afirmam que uma fotografia é simplesmente uma captura visual de algo que está lá fora, no mundo. Usam essa crítica como uma arma contra a fotografia como arte. Acrescente-se a isto a ideia sugerida por alguns autores de que a fotografia conceptual é relativamente fácil, mesmo para amadores, porque estes não precisam se preocupar com questões artísticas ou técnicas, a não ser as da máquina como f-stops e velocidade de obturador.

© Fernando Kaskais

Será mesmo assim, no caso da fotografia? A psicologia fala sobre percepção visual, bem como a formação de conceitos verbais. O pensamento conceptual pode operar através de visualizações. Mesmo que uma fotografia seja uma representação de uma coisa particular, em vez de uma ideia generalizada sobre as coisas, não é essa própria coisa física em si. Não nos podemos sentar numa fotografia de uma cadeira. Poderíamos, portanto, argumentar que uma foto de uma cadeira, ou de qualquer outra coisa, é uma forma muito simples de fotografia conceptual porque não é a coisa real, mas uma representação dessa coisa, uma representação que foi tirada ou subtraída ao mundo real.

É claro que uma foto de uma cadeira para expressar a ideia de “cadeira” não é muito interessante como ideia de fotografia conceptual, não é tão interessante como criar uma fotografia para capturar a ideia de “liberdade”, “maternidade” ou “psicose”. Poderíamos facilmente ficar enredados em debates teóricos, mas não é essa a finalidade deste artigo. O que interessa aqui é perceber que palavras, imagens e as coisas reais que elas representam estão todas entrelaçadas na fotografia conceptual. Isso pode melhorar a nossa habilidade neste género fotográfico. Basicamente, na fotografia conceptual, pegamos numa ideia comum baseada no significado das palavras e, transformamos-la numa imagem mais específica e tangível. A fotografia conceptual transforma uma ideia abstracta numa forma visual específica com substância. Impulsiona o conceito que representa para o mundo físico concreto.

© Fernando Kaskais

Assim, podemos observar que o fotógrafo conceptual esforça-se para enviar uma mensagem para o espectador. Pode ser uma declaração política, um comentário social, ou, o retrato de uma ideia psicológica sobre pessoas, relacionamentos e emoções. A tarefa dos telespectadores é descobrir qual é a mensagem. O trabalho do fotógrafo é incentivá-los a perguntar-se, “o que significa esta foto?”

Alguns fotógrafos conceptuais trabalham muito para tornar a resposta a essa pergunta tão específica quanto possível. Eles querem que a foto possa transmitir uma ideia particular, independentemente de quem está a olhar para ela. Podem afirmar até que o significado da imagem é exactamente o que eles pretendiam e apenas o que eles pretendiam. Se vemos uma foto de um homem de aparência doentia, segurando o peito, tossindo, com fumo visível, com um cigarro aceso na mão, a mensagem é clara: fumar é mau para sua saúde. Ao contrário de simplesmente apresentar um “facto” conceptual, alguns fotógrafos persuadem as pessoas a pensar de uma certa maneira sobre uma questão e podem até incentivá-las a mudar os seus sentimentos e crenças a esse respeito.

© Fernando Kaskais

Outros fotógrafos conceptuais optam por uma abordagem diferente. Nas suas fotos oferecem um conceito geral, mas projectam a imagem de tal forma que os espectadores possam interpretar o significado mais subjectivamente, de acordo com suas próprias expectativas, sentimentos e origens. O fotógrafo orienta os espectadores para um estado conceptual, incentiva-os a decidir por si mesmos o que, no seu caso em particular, a foto pode significar. Se vemos numa foto um maço de cigarros sobre uma mesa, ao lado de uma linha de cocaína e um par de dados, o conceito parece ser “vício”, mas o significado exacto está aberto a interpretação. O objectivo deste tipo de fotografias conceptuais é fazer com que as pessoas pensem sobre uma determinada ideia, geralmente usando os seus próprios sentimentos, expectativas e memórias. Ainda há muito a dizer sobre a fotografia conceptual, mas por agora fico-me por aqui, que este artigo já vai longo. Boas fotos.

© Fernando Kaskais
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