Transformar uma ideia em imagem.

© Fernando Kaskais

Transformar uma ideia em imagem.

Há dois patamares conceptuais que é preciso definir, em primeiro lugar, o que é a ideia, e em segundo lugar, o que é necessário para transmiti-la, e o que precisamos fazer para evitar exageros que resultem em diluição ou confusão? Do ponto de vista puramente psicológico, existem basicamente dois tipos de imagens: Primeiro, as imagens que são capturadas como uma resposta instintiva ou semi-reflexa a estímulos externos que nos atraem a um nível subconsciente. Estas imagens têm algo em si que desperta em nós o interesse suficiente para nos motivar a capturá-las. Segundo, as imagens criadas conscientemente, resultado de uma ideia que, em si mesma, pode ter sido desencadeada por uma resposta a estímulos externos. A diferença fundamental aqui é a de consciência e deliberação.

Mentalmente, a geração de uma ideia é precedida pela observação de algo que é de interesse pessoal para nós. Há um certo investimento emocional, que em si, é um produto das nossas próprias preferências / preconceitos / experiências, etc. A ideia pode ser interessante porque, é muito diferente de qualquer outra coisa que já vimos anteriormente, ou então, é muito semelhante, mas  num espaço tempo diferente, e inesperado. Assim, a primeira fase da idealização tende a estar enraizada na semelhança, ou na diferença. Ajuda bastante descobrirmos qual é, e como podemos reforçar a impressão visual da primeira, ou da segunda, destacando essas semelhanças ou diferenças.

© Fernando Kaskais

Uma coisa importante a ser observada é que a tradução da ideia em si, requer identificá-la em partes lógicas individuais e, em seguida, analisá-las em elementos físicos, metafóricos ou fotográficos. Esses são os três métodos fundamentais de tradução. O físico, naturalmente, representa o mundo literal, “real”: uma pessoa é um ser físico, mas também pode representar um indivíduo, uma emoção ou a presença da humanidade. A metafórica refere-se a elementos conceptuais que nós associamos às coisas que não podem ser física e visualmente representadas: – Por exemplo, a liberdade, a separação (na foto acima, um amigo que perdeu o seu melhor amigo), impermanência, temperatura, cheiro. Por último, os elementos fotográficos que são as propriedades do meio que precisamos aprender a usar a nosso favor.

Normalmente o fotógrafo não controla todos os elementos do meio onde está a fotografar (excepto no caso da fotografia de estúdio, e mesmo assim…), e como o ambiente muda continuamente, nem sempre é possível obter o tipo de imagens que se espera para conseguir a tal foto idealizada. Assim, muitas vezes o fotógrafo tem que recorrer á sua imaginação, e capacidade de improvisação, para fazer uma imagem que se aproxime o mais possível aquela que ele idealizou.

© Fernando Kaskais

Há alguns pequenos truques que podem ser usados, como por exemplo: – Se não conseguirmos definir muito bem as formas humanóides presentes no enquadramento, porque são vagas e indistintas, acentuamos ainda mais esse facto, usando uma exposição mais longa fazendo-as parecer uns alienígenas estereotipados. Explorar a contradição entre a direcção dos olhares, e a linguagem corporal. Realçar a separação emocional que é reforçada pela separação física. Se queremos realçar a presença da cidade definida e sólida, colocamos os indivíduos fora de foco, e tentamos apanhá-los em movimento. E assim sucessivamente, há uma quantidade enorme de “truques”, para tentar fazer a imagem que idealizamos, ou pelo menos para nos aproximarmos do seu conceito inicial. Não há uma receita milagrosa, pois vai depender muito das capacidades técnicas do fotógrafo, e da sua experiência. Mas acima de tudo o que é preciso é fotografar. Boas fotos.

 

© Fernando Kaskais
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