A Personalidade do Fotógrafo Reflectida na Fotografia

© Fernando Kaskais

A Personalidade do Fotógrafo Reflectida na Fotografia

Alguns aspectos da Fotografia que reflectem a personalidade do Fotógrafo. Uma fotografia pode dizer, ou mostrar muita coisa, pode não dizer, nem mostrar praticamente nada, mas diz-nos sempre alguma coisa sobre o fotógrafo que a executou. Uma fotografia é uma maneira de olhar, e o olhar expressa sempre qualquer coisa, mesmo quando é um olhar “vazio”, ele expressa esse mesmo vazio. Claro que o exercício que se segue, não passa disso mesmo, um exercício, no entanto não deixa de ser a ponta do icebergue, no que toca á fotografia e á psicologia que a envolve. A fotografia é um acto intelectual mais ou menos consciente, logo, a foto que daí resulta, expressa mais ou menos essa mesma (in)consciência. No fundo, uma foto, mais do que retratar o mundo exterior, seja ele uma paisagem, um ser humano, as ruas de NY, uma natureza morta, etc., retrata o mundo interior do seu autor. Isto pode parecer, e é, complexo, exactamente tão complexo como a natureza humana e as suas realizações, entre as quais se conta a FOTOGRAFIA.
No seu livro “Photoanalysis”o Dr. Robert U. Akeret disse, “está tudo ali, na foto”. Embora isto seja verdade é importante compreender quais são os elementos que nos comprometem numa fotografia. Há regras fixas na fotografia, no entanto há uma série de elementos que estão quase sempre presentes em quase todas as fotografias. Eles são os seguintes: – Organização (composição). Linhas e formas (particularmente círculos e triângulos) . Espaço negativo (negative space), ou espaço em branco, ou não preenchido. Luz e cor.  E finalmente os Pontos focais, e a organização que envolve a inclusão, ou exclusão, assim como a relação espacial entre os elementos que compõe a fotografia. Com certeza que haverá mais interpretações, e mais complexas, mas neste artigo fiquemo-nos apenas por estas análises, às mensagens subliminares, escondidas nas fotografias.
 Composição, Linhas e Formas. As revelações psicológicas que se podem perceber numa fotografia podem ser compreendidas pela linguagem corporal, e pela relação espacial que existe entre os objectos fotografados. Essa relação pode revelar-se pessoal, ou impessoal. Observando as linhas da composição, percebemos para onde é que o fotografo quer orientar o olhar do observador. Esta orientação do olhar do espectador ajuda-nos a definir as prioridades do fotógrafo. Essas prioridades podem revelar o desejo consciente, ou inconsciente, de reconstruir uma história do passado, sublinhar uma história presente, ou deixar uma mensagem para o futuro. Estas conexões que o fotógrafo estabelece na sua fotografia, são simbólicas, e representam muitas vezes o tipo de relacionamentos que o fotógrafo tem na sua vida pessoal.  Quando há um forte padrão de conexões em várias fotografias do mesmo fotógrafo, isto pode revelar uma personalidade que dá um grande valor á amizade, e relações de confiança duradouras.

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Espaço Negativo. Noutra análise, envolvendo o uso do espaço negativo que envolve o objecto fotografado, sendo ele excessivo, ou nulo, pode intuir-se se o objecto, ou pessoa fotografada, tem um papel importante na vida do fotógrafo. Se o espaço é fechado sobre o objecto fotografado, revela que para o fotógrafo todos os segundos contam, e o tempo é vital, tempo é dinheiro. O fotógrafo pode ter uma personalidade opressora sobre aqueles que lhe são mais próximos, ou sobre aquilo que fotografa. Indica muitas vezes neurose, ou necessidade de controlar tudo. Se o espaço é aberto, e o objecto fotografado usufrui de bastante espaço livre na fotografia, isso pode indicar uma atitude mais relaxada, e mais confiante por parte do fotógrafo, quer sobre aquilo que fotografa, bem como sobre vida em si mesma.

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 Cor. A cor, e a luz usada, ou captada numa fotografia revelam diferentes estados de espírito, e sentimentos. Há várias teorias, e estudos, sobre as cores e os estados de espírito. O vermelho é associado á paixão e á ira, o azul á depressão e á calma, e o amarelo com a alegria e a energia.  Há fotógrafos que preferem as cores muito vivas, outros preferem tons mais neutros, e outros ainda, que só “sabem” fotografar a preto e branco.  Assim, quase que podemos dividir a Fotografia  em duas grandes categorias, que incluem a cor, e o preto e branco.  Curiosamente há uma corrente filosófica que sugere que “Quando fotografamos alguém usando a cor, estamos a fotografar as suas roupas. Mas quando fotografamos alguém a preto e branco, estamos a fotografar a sua alma”. Pode até nem ser verdade, mas que é uma frase (ideia) bonita, lá isso é. Pessoalmente acho muito mais difícil trabalhar a cor, do que o B/W, mas isso é quase sempre uma questão pessoal, que cada fotografo tem de resolver por si mesmo.

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Luz. Como é óbvio, a luz desempenha um papel importante em qualquer fotografia, e quando falamos de luz, também incluímos as sombras. As fotografias cheias de luz, muito luminosas ou pouco contrastadas, apontam para uma atmosfera feliz, divertida e, por vezes, com algum mistério á mistura. Por outro lado, as fotografias onde predomina o negro, as sombras, com grandes contrastes, criam um clima dramático, alguma tensão, e ansiedade. A juntar a isto, se o objecto fotografado for uma, ou varias pessoas, a linguagem corporal, e o enquadramento, podem perfeitamente ajudar a definir as intenções do fotógrafo quanto á fotografia que, eventualmente queria fazer, e se está, mais ou menos bem conseguida. Quanto mais informação tiver uma foto, mais importante se torna a boa definição promovida pela luz.

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Pontos Focais. Quando a fotografia está proporcionalmente correcta, e tudo parece estar no devido lugar, o nosso olhar é subtilmente dirigido através da fotografia, até ao ponto que o fotógrafo pretende destacar. Ou seja, quando todos os elementos que compõem uma fotografia estão correctos, e no sitio certo, isso pode revelar que o fotógrafo está num estado de espírito relaxado, e completamente concentrado naquilo que está a fazer, que é fotografar. Não está a dar espectáculo, e não quer chamar a atenção sobre si próprio. Não se vê como o “artista”, a “vedeta”. Fotografa simplesmente. Se quisermos especular, podemos dizer que o fotógrafo está num estado Zen. Pelo contrário, quando os elementos que compõe uma fotografia, estão em contradição, e a linguagem corporal também é contraditória, a fotografia cria sentimentos ambivalentes, e pode indicar que o fotógrafo tinha a cabeça em todo o lado, menos, naquilo que estava a fazer.
Conclusão: Uma fotografia diz muito sobre aquilo que mostra, sejam paisagens, pessoas, ou objectos. Diz também, muito, sobre as intenções do fotógrafo, e aquilo que ele nos quer mostrar. Ou esconder. Mas essencialmente, para quem souber ver, diz quase tudo sobre a personalidade do fotógrafo, as suas virtudes e os seus defeitos, e a sua capacidade de expressar essa mesma personalidade. Porque na verdade, quando fotografamos, seja aquilo que for, estamos a isolar (a retirar) do mundo, um pequeno rectângulo (ou quadrado), que por algum motivo, misterioso, ou evidente, chamou a atenção da nossa (mente) alma. Pense nisto, na próxima vez que fotografar. Boas fotos.
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Telephone Wires

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“I have two pairs of eyes – one to paint and one to take photographs.” – Jacques-Henri Lartigue

 

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Old House

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 Conceptual photography

“Mysteries lie all around us, even in the most familiar things, waiting only to be perceived.” – Wynn Bullock

 

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Swimming Pool

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“For me, a good color photograph has always been more difficult to create than a good black and white image.” – Arthur Meyerson

 

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El Capo

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“Pictures you have taken have an influence on those that you are going to make.” – John Sexton

 

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La Cosa Nostra

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“I believe in the imagination. What I cannot see is infinitely more important than what I can see.” – Duane Michals
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O que torna uma imagem interessante. Ilusão e realidade.

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O que torna uma imagem interessante. Ilusão e realidade.
Há dois componentes fundamentais para tornar uma imagem interessante: assunto e apresentação. As implicações teóricas que eles acarretam são vastíssimas, por isso vou tentar abordar a aplicação prática. De uma maneira subjectiva muito limitada, pois não há maneira de o fazer a um nível absoluto. Pois, quanto mais vemos, quanto mais experimentamos, e fotografamos, mais a nossa própria visão evolui junto com a filosofia criativa por trás disso. Toda a imagem tem uma interpretação pessoal, sendo quase impossível fazer uma imagem que seja interessante para todos. Penso que há realmente apenas duas maneiras de tornar uma imagem interessante: – Ambiguidade ou Precisão Clínica.  Falamos de Ambiguidade, ou seja, realizar uma imagem deixando uma quantidade deliberada de possíveis interpretações. Normalmente dirigida a um público anónimo. Falamos de Precisão Clínica, quando uma imagem é muito bem estruturada e definida, dirigida a um alvo preferencial, normalmente o criador da mesma imagem que tem uma utilização especifica em mente. Ambas as abordagens exigem uma boa dose de controle, tanto do ponto de vista artístico, como do estético e técnico.
A ideia da Ambiguidade deliberada é bastante simples: o fotógrafo permite incerteza suficiente na imagem, para o público interpretar e projectar nas áreas mal definidas o que eles esperam ver. Desta forma, não há desapontamento ou oposição espontânea. O espectador vê o que quer ver, e não há nada a contradizer. Pode ser tão simples como uma quantidade enorme de espaço negativo. O conteúdo da escuridão, ou do espaço vazio não tem qualquer forma, então não há nada impedindo o observador de imaginar o espaço habitado com aquilo que ele quiser.
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Uma imagem de Precisão Clínica, não deixa absolutamente nenhum espaço para a interpretação, logo, até certo ponto, há quase sempre a certeza da decepção. Só podemos ver o que nos é apresentado; o fotógrafo tem o potencial de definir com precisão uma ideia, e espera que ela se traduza visualmente na mente de outra pessoa. Quanto mais controle o fotógrafo tem sobre este processo, melhor a ideia será traduzida. Não podemos traduzir uma ideia mal definida na nossa própria mente, porque então ninguém realmente saberá o que estamos a tentar dizer. Precisamos de uma profunda compreensão da psicologia humana, e da forma como a mente subconsciente processa a informação visual, e faz associações com outras memórias ou pensamentos, para fazer passar uma ideia muito complexa ou incomum.

 

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A melhor maneira é quando as pistas são apresentadas numa determinada ordem, mas o espectador chega à conclusão por conta própria. Por exemplo, podemos passar a ideia de um dia chuvoso com uma figura com um guarda-chuva e alguns reflexos do solo molhado. A figura na imagem poderá ser realmente quem os espectadores quiserem. Se não podem ver um rosto, a figura pode ter qualquer idade e ser de qualquer raça. Todavia, uma imagem altamente definida pode ser a de uma cidade debaixo de chuva, em que os pingos da chuva são visíveis nas poças, vendo-se a multidão de pessoas com guarda-chuvas, e marcos reconhecíveis no horizonte (por ex. Torre de Londres, Torre Eiffel, etc.) para levar o espectador a definir especificamente a localização.

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Pessoalmente, quanto mais fotografo, mais desafiador é comprometer-me com uma imagem. Isto não é porque eu não estou a ver; É porque estou a pensar antes de “disparar”. Eu sei que, para fazer uma imagem mais interessante e mais complexa, ou incomum, mais elementos precisam de unir-se de uma maneira muito precisa. Passo mais tempo agora a conceptualizar, a pensar, a observar o meu ambiente e a conceber ideias para encaixar. Por outro lado também estou “perdendo” mais tempo a estudar o comportamento e a psicologia das pessoas: não como sujeito, mas como público. Ao visualizar uma imagem, não é apenas o que é dito, mas também todas as coisas que passam através do meu subconsciente para me fazer chegar a uma determinada conclusão. Num nível mais simples, a temperatura da cor, a luz e o brilho, pode mudar o que nós sentimos sobre uma cena. Num nível mais complexo, certos elementos podem invocar desconforto ou outras sensações físicas como calor, fome, desejo, intrusão etc. Quem disse que uma fotografia diz tanto sobre o fotógrafo como o assunto que este fotografa estava carregado de razão. Fotógrafos somos todos. Uns mais do que outros, e é esse o fascínio da fotografia. Boas fotos.
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Surreal Duel

 

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 Conceptual photography
“Photography is savoring life at 1/100th of a second.” Marc Riboud

 

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Turn Left

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 Minimalist photography

“We photographers are privileged to have a communication tool like the camera. It’s great communication.  I have to use that privilege for good not just for my career or artistic or personal business.” – Kenro Izu

 

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Stripes Without Stars

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 Minimalist photography

“I am a deeply superficial person.” – Andy Warhol

 

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