Tricot @

© Fernando Kaskais

Conceptual photography

“I never question what to do, it tells me what to do. The photographs make themselves with my help.” – Ruth Bernhard

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Gárgula

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Conceptual photography

“In photography there is a reality so subtle that it becomes more real than reality.” – Alfred Stieglitz

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Proust, e Como Abrir os Olhos Para a Fotografia.

© Fernando Kaskais

Proust, e Como Abrir os Olhos Para a Fotografia.

Proust escreveu um ensaio em que se propôs devolver um sorriso ao rosto de um jovem triste, invejoso e insatisfeito. A vulgaridade do cenário da sua vida quotidiana contrastava com o gosto do jovem por coisas bonitas e caras que não tinha dinheiro para comprar. O jovem invejava os banqueiros que podiam decorar as casas como queriam. Proust simplesmente antecipou, o que acontece nos dias de hoje, em que as marcas, e as suas campanhas publicitárias, impõe a sua ditadura não só sobre os jovens mas sobre todos nós. E por falar em nós, nós, os fotógrafos, também vivemos um pouco essa frustração de nunca termos aquilo que desejamos, a câmera perfeita. Mas a verdade é que não há equipamentos perfeitos, ou melhor, o equipamento (câmera) perfeito, é exactamente aquele que temos connosco. Deste ensaio de Proust, podemos tirar cinco lições que são úteis para desenvolver uma filosofia fotográfica.

 

1ª – A beleza da banalidade. Proust propôs-se levar o jovem ao museu para ver uns quadros de Chardin. Pode parecer estranho já que Chardin não pintava príncipes ou palácios. Chardin pintava “coisas vulgares”, utensílios de cozinha, taças com fruta, copos de vinho etc. As figuras humanas que ele pintava nunca faziam nada de heróico, liam ou bordavam, chegavam ou partiam. A ideia a reter aqui é que estes quadros eram uma janela para um mundo imediatamente reconhecível, como o nosso. Porém invulgarmente maravilhoso e tentador. O que é isto nos diz enquanto fotógrafos? Que podemos fotografar coisas banais e corriqueiras, e mesmo assim conseguirmos fazer excelentes fotografias. Ou seja, os nossos temas não têm que ser sempre cheios de acção, em locais de cortar a respiração com modelos deslumbrantes ou bizarros, ou simplesmente exóticos.

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2ª – Estímulos visuais. A ideia de Proust é que não existe nenhuma reflexão, ou decisão consciente atrás da nossa escolha daquilo que nos agrada visualmente. O que é que nos leva a fotografar palácios, mas não cozinhas, ou porcelana em vez de barro? Estas escolhas no entanto não são completamente naturais. A felicidade que pode advir de um segundo olhar é fulcral no conceito de Proust; revela até que ponto as nossas insatisfações podem resultar de não olharmos adequadamente para as nossas vidas, e não de algum problema inerente a elas. A nossa fotografia não segue o caminho que gostaríamos que seguisse? Isso é um problema conceptual nosso, e não se deve ao facto de não possuirmos o ultimo modelo da Leica ou Hasselblad (passe a publicidade).

 

3ª A vida, e a imagem que temos dela. No famoso episódio da madalena, o narrador ao provar o bolo, descobre subitamente, que não era a sua vida que tinha sido medíocre, mas a imagem da vida que guardara na sua memória. Esta é uma distinção chave para Proust, porque a razão pela qual a vida pode ser considerada banal, embora em certos momentos nos pareça bela, é que habitualmente formamos o nosso juízo, não com base na vida propriamente dita, mas com base em imagens muito diferentes que nada preservam da vida, e assim julgámo-la levianamente. Traduzido para a arte da fotografia, quer dizer que, as imagens pobres que muitas vezes fazemos, advêm da nossa incapacidade de registar convenientemente aquilo que vemos no preciso momento em que ocorre. A memória do intelecto, e dos olhos, dá-nos apenas fac-similes imprecisos daquilo que observamos, se não soubermos usar a intuição, aplicando-a devidamente á nossa câmera, ela dá-nos precisamente a mesma coisa que nós lhe damos a ela. Uma imagem pobre, ou banal, no sentido da falta de transcendência. Ou seja, não é a realidade que nos cerca que é pobre e desinteressante, é o nosso olhar que a vê assim. 

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4ª A imagem errada. O narrador de Proust imagina ir para a beira-mar, influenciado por um livro sobre o período Gótico medieval. Imagina uma Normandia meio deserta, habitada por tribos míticas, um mar furioso etc. Mas quando chega, o local está cheio de turistas, restaurantes, lojas e hotéis. A desilusão ilustra a importância vital das imagens para a apreciação que fazemos daquilo que nos rodeia, juntamente com o risco que representa sair de casa com a imagem errada. Esta história reforça uma vez mais, a ideia de que a beleza é algo a descobrir e não algo que se encontre passivamente. Para nós fotógrafos, este conceito ajuda-nos a não sair de casa já com imagens pré definidas, sobre aquilo que vamos fotografar. Devemos estar atentos aos pormenores, e ao inesperado. Por vezes, um cenário modesto pode esconder uma excelente fotografia.

 

5ª – A busca do reconhecimento. Proust foi acusado de ser simplesmente um snob, um diletante, membro do jet-set que frequentava a casa de fulano ou sicrano.  Proust confessou que se sentia atraído por uma vida de ostentação, e tentara fazer amizade com aristocratas. No entanto, também confessou que ficou desiludido com aquele ambiente, e que as imagens de encanto que lhe haviam incutido o desejo de se aproximar dos aristocratas simplesmente não igualaram as realidades da vida aristocrática. Reconheceu que era preferível ficar em casa, e que podia ser tão feliz a falar com a criada como com a princesa Caraman- Chimay.  Percebeu que o duque de Guermantes era um homem boçal, cruel e vulgar, menos interessante que o seu mordomo. O que é que isto nos diz enquanto fotógrafos? Que são fúteis, e vãs, as nossas tentativas de nos tornarmos fotógrafos proeminentes á custa de socializarmos, e quem sabe, até sermos convidados para membros da Magnum, a aristocracia da fotografia. Em vez disso, será melhor concentrar-nos na nossa fotografia, desenvolver a nossa filosofia fotográfica, juntamente com a nossa técnica, e tudo o resto vem (ou não vem) por acréscimo. Quando fotografamos devemos estar plenamente concentrados naquilo que fazemos, e não a pensar no que a, ou b, vão dizer daquela magnífica fotografia que estamos a fazer naquele preciso momento.  Ou, onde a vamos expor, ou quanto é que vamos cobrar por ela. Ou seja, é mais inteligente, e mais viável, pensar em fazer grandes (boas) fotografias, de que nos fazermos grandes, através das fotografias. Boas fotos.

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Six Legs

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Conceptual photography

“Everything is a subject. Every subject has a rhythm. To feel it is the raison d’être. The photograph is a fixed moment of such a raison d’être, which lives on in itself.” – Andre Kertesz

 

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Ramadan

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Minimalist Phtography

“Give me inspiration over information.” Henri Cartier Bresson

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Plastic Bag

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Minimalist Phtography

“Nature always wears the colors of the spirit.” Ralph Waldo Emerson

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Quanto mais fotografamos menos sabemos.

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Quanto mais fotografamos menos sabemos.

Admito que esta ideia é um pouco confusa e contraditória, mas vou explicar o meu ponto de vista. A verdade é que quanto mais fotografamos, mais difícil fica fazer alguma coisa que nos satisfaça enquanto fotógrafos. Isto passa-se comigo e com a minha fotografia, e acredito que se passe o mesmo consigo que lê isto, e com a maior parte dos fotógrafos que façam fotografia há alguns anos. Penso que é algo semelhante àquilo que se passa com a aquisição do conhecimento. Quanto mais sabemos, menos certezas temos, pior ainda, mais certas são as incertezas. A consciência e a definição das nossas limitações tornam-se claras.

Numa analogia fotográfica, podemos dizer que uma vez que passamos os vários patamares de aprendizagem, e obtemos as bases técnicas da fotografia (exposição, foco, velocidade, abertura, enquadramento, etc) e chegamos ao ponto onde podemos fazer as imagens que queremos, aí então, acontecem duas coisas. Primeiro – Começamos a pensar muito mais sobre a representação subjectiva de uma cena, usando, ou sendo limitados pelos nossos preconceitos estéticos. Segundo – Passamos a ser mais facilmente distraídos e ignoramos os nossos instintos. E na fotografia, o instinto não é o momento que a mente nos diz quando disparar o obturador, mas o sexto sentido que determina se uma imagem é equilibrada, ou se há algo extra para fazer evoluir a imagem para um próximo nível. A imagem que captamos representa a nossa reacção instintiva à cena e aos elementos que a compõe, que por sua vez inclui todas as nossas próprias preferências subconscientes, preconceitos e experiências.

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E aqui está o problema. O que é mais difícil, é fazer uma imagem diferente de qualquer coisa que tenhamos feito anteriormente. Por razões óbvias, quanto mais fotografamos, especialmente se for um único assunto, ou local, mais difícil é não nos repetirmos. Pior, com quanto mais prática chegarmos a um determinado género ou assunto, mais as nossas composições e apresentações tendem repetir-se e a serem similares. Por um lado até pode ser bom, porque é, naturalmente, o desenvolvimento e maturação de um estilo pessoal. Infelizmente, é também muito fácil habituarmo-nos em fazer imagens que são muito semelhantes. Podemos ver isto como o factor de piloto automático: quanto mais se faz alguma coisa, mais fácil se torna repetir, mas simultaneamente, mais difícil fica sair desse hábito.

Obviamente, isso é contraproducente para a criatividade. Essencialmente, precisamos repetir uma tarefa em condições semelhantes, mas ligeiramente variadas, para dominar essa tarefa até o nível em que podemos fazer a parte de execução mecânica no piloto automático e, ao mesmo tempo termos flexibilidade mental suficiente para inserir alguma variedade e interpretação pessoal no resultado. No entanto, não devemos repeti-lo tantas vezes, ou de forma tão semelhante que cheguemos a uma conclusão inevitável, a monotonia, que resulta numa apresentação chata, mesmo que consistente.

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É talvez, uma das razões pelas quais olhava para as minha próprias fotografias e o resultado parecia-me por vezes um pouco esquizofrénico.  Fotografava uma variedade muito grande de temas e estilos, ao ponto de achar que não tinha um objectivo real, ou disciplina. Na verdade, acreditava piamente que esta era a única maneira de fotografar, de uma forma que é sustentável e promove o desenvolvimento criativo pessoal. Acreditava, e acredito ainda que, devemos fotografar e compor com regularidade, diversificadamente, tentando que isso não se torne repetitivo de maneira tal, que, os nossos cérebros entrem em piloto automático.

No entanto, descobri um paradoxo nesta teoria, á medida que me fui interessando cada vez mais pela fotografia minimalista e conceptual. Aparentemente, limitando o meu campo estético, e composicional, em vez de repetir sempre a mesma coisa como era de supor, fui descobrindo pequenas nuances, que me permitem mais liberdade criativa do que há partida era suposto esperar. Fazer, ou fotografar o “simples” é muito complicado. A máxima “less is more”, ou seja “O menos é mais” é algo que a fotografia minimalista torna evidente para quem a pratique pelo tempo suficiente. Agora, quando fotografo, não me preocupo com o que quero meter no enquadramento, mas sim com o que quero tirar de lá. Fiz umas espécie de “reset” mental, “limpei” os olhos e comecei a olhar de novo. Continuo a não saber se há um elemento inesperado que vai definir a foto, mas tenho uma ideia muito mais definida sobre as fotos que quero fazer. No entanto, comparando com a quantidade de fotografias que faço, continuo a saber pouco, ou nada. Como diz o outro “Só sei que nada sei”. Boas fotos.

 

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Hell’s Gate

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Minimalist Phtography

“It’s not what you see but what you make others see.” – Degas 

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Out-Of-Bounds

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Minimalist Phtography

“Whatever else a photograph may be about, it is always about time.” – Richard Misrach

 

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Como Ser Um “Fotógrafo Espartano”.

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Como Ser Um “Fotógrafo Espartano”.

“Cada vez mais me assemelho ao caranguejo: olhos fora do corpo, vou imaginando de lado, hesitante entre duas visões: a dos olhos e a da câmera.” Fernando Kaskais

Juntamente com o Minimalismo, com o Tao e com o Zen, a filosofia Espartana sempre me fascinou. A capacidade física e mental, o sentido de dever e a capacidade de levar uma vida frugal, foi algo que sempre me interessou, como hipoteticamente capaz, de ser aplicado á fotografia. Como é, e o que é que, o conceito de desprendimento, pode trazer á minha (nossa) fotografia. Como é que posso ver diminuir a minha dependência do equipamento? Ou da necessidade de viajar para locais exóticos para fazer fotografia ainda mais exótica? Vamos fazer uma mistura de historia e ficção, e  analisar 5 cenários “espartanos”.

1. Apenas uma câmera e uma lente por ano. Aos guerreiros espartanos era dada apenas uma capa para usar durante todo o ano. (Isto segundo a história descrita por Plutarco) Andavam em tronco nu em público. Porque é que não experimentamos impor a nós próprios, usar só uma câmera e uma lente durante um ano (vá lá, um mês). Não é fácil, a maior parte dos fotógrafos que conheço tem mais do que uma câmera e uma lente. Nos dias de hoje, felizmente, por um lado, e infelizmente por outro, sofremos do síndrome da abundância. O facto de se possuir muitas câmeras e lentes, pode ser mais um motivo de stress, do que de alivio, dada a possibilidade da escolha. O leitor imagine-se um “fotógrafo espartano”, e obrigue-se a só fotografar com a mesma câmera, e com a mesma lente durante um ano (ou um mês). Como já disse, vai ver que não é fácil. Eu já tentei e não aguentei um ano. O máximo que consegui foi cinco, ou seis meses, se não me engano.

 

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2. Enfrentar o frio. O frio é uma das minhas fraquezas. Ter medo de ter frio é muito condicionante. Os espartanos eram conhecidos por serem capazes de enfrentar o frio. Ser capaz de resistir ao frio tem alguns benefícios. Primeiro, se tivermos que viajar pode levar-se menos casacos, e menos camisolas. Ou seja, menos peso, e menos volume. Segundo, economiza-se na roupa de inverno que é cara. Tentarmos adaptar-nos ao frio, pode passar por tomar banhos de água fria, embora isso possa ser doloroso no inverno, permite-nos enfrentar melhor o frio lá fora. O que também nos permite ir para a rua fotografar, em condições climatéricas menos vantajosas.

3. Dieta frugal. Segundo reza a história os homens espartanos eram alimentados apenas o suficiente para satisfazer suas necessidades básicas, ou seja, apenas para matar a fome. O facto de estarem quase sempre famintos tornava-os mais aptos, menos lentos, mais fortes. Quase todos nós nos comportamos como crianças, no que diz respeito á fome. Queremos comer, temos que ter comida. No entanto se viajarmos muito, nem sempre temos restaurantes, ou supermercados, á mão de semear para arranjar comida. Pode não haver nada para comer, mas isso não nos deve impedir de fazer fotografia se tal for necessário. Podemos treinar isto, saltando uma refeição ou outra, não tomar o pequeno-almoço, ou o almoço, ou o jantar, conforme dê, ou não jeito perante aquilo que queremos fazer. Se estivermos no estrangeiro e quisermos poupar tempo e dinheiro, a melhor coisa a fazer é comer o alimento mais barato, mais frugal, e mais nutritivo possível, apenas para matar a fome. Os ovos são uma boa solução, bem como café. Saber resistir á fome, pode parecer que não tem nada a ver com fotografia, mas tem. Pode fazer com que não percamos boas oportunidades para fotografar, simplesmente porque temos que ir “matar o bicho”.

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4. NUNCA entre em competição. Em Esparta não era permitido qualquer jogo que tivesse vencedor e perdedor. Procurava-se que os espartanos nunca sentissem o peso da derrota. Na fotografia, um conselho que deixo a toda a gente é que, NUNCA entrem em concursos, ou competições de fotografia, em que haja vencedores, e por consequência, perdedores. NUNCA se disponibilize para comparar a sua fotografia com a dos outros. Porque se não ganhar, torna-se um perdedor, e a fotografia nunca deve ser encarada nessa perspectiva. A fotografia é uma forma de expressão, não uma forma de afirmação. As suas fotografias não têm culpa da sua falta de técnica, ou de inspiração, para mais tarde virem a ser comparadas com outras, que também não tem culpa de que, quem as tirou tivesse mais talento. A sua fotografia é única, boa ou má, é sua, é como um filho, que não se rejeita, nem se compara. Não dê muita importância às redes sociais, nem aos likes nem aos fóruns de fotografia. Não quer dizer que sejam proibidos, somente que, lhes devemos dar a importância que realmente tem. Ou seja, pouca, ou mesmo nenhuma.

5. Aptidão física e coragem. Se o leitor quer fazer “street photography” convêm estar em forma fisicamente. Tanto para caminhar muito, como para correr se for preciso fugir de alguma situação menos amigável. Os espartanos valorizavam a aptidão física, e glorificavam a força. Procure estar em melhor forma possível, se faz isso nadando, no ginásio ou a caminhar, isso é consigo. Convêm também ter uma certa coragem para fotografar aquilo que quer fotografar, sem medo. Não se deixe intimidar pelas situações, parta para cima do assunto que quer captar sem ter medo de lidar com situações negativas. Como já lhe deve ter sucedido. Isto é mais fácil de dizer do que fazer. Mas lembre-se, se seguir esta ideia, estará a tentar ser um “fotógrafo espartano”. Ou pelo menos, com mais auto controle. Não tendo medo de correr riscos (calculados claro), porque sem correr riscos, provavelmente nunca fará nada de diferente.

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Conclusão. Os valores antigos são muito mais consistentes do que os modernos. Os valores modernos tornaram-nos fracos, flácidos e ingratos. Vivemos na época do supérfluo, do faz de conta, da gratificação instantânea, do descartável, onde se privilegia a forma em relação ao conteúdo.  Em vez de sermos gratos pelas câmeras que já possuímos, estamos constantemente insatisfeitos e queremos mais, e mais. A maior parte das vezes não temos coragem suficiente, para fazer o tipo de fotografia que queremos fazer. Normalmente, “fazemos” fotografia para os “amigos” “likar” e afagarmos o ego, em vez de fazermos fotografia reflexiva e criativa.  Eu sofro do mesmo síndrome do equipamento, quantas vezes dou por mim a pensar que uma nova câmera irá desbloquear o meu bloqueio criativo temporário. Mas, eu é que sou o meu maior obstáculo para desenvolver essa criatividade. Não tenho que arranjar desculpas, tenho é que fazer mais fotos. A fotografia, assim como a vida, não é fácil, aliás, é uma guerra. Por isso prepare-se para a luta. Boas fotos.

 

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