Old House

© Fernando Kaskais

 Conceptual photography

“Mysteries lie all around us, even in the most familiar things, waiting only to be perceived.” – Wynn Bullock

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

 

 

Swimming Pool

© Fernando Kaskais

“For me, a good color photograph has always been more difficult to create than a good black and white image.” – Arthur Meyerson

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

 

El Capo

© Fernando Kaskais

 

“Pictures you have taken have an influence on those that you are going to make.” – John Sexton

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

La Cosa Nostra

© Fernando Kaskais
“I believe in the imagination. What I cannot see is infinitely more important than what I can see.” – Duane Michals
© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

O que torna uma imagem interessante. Ilusão e realidade.

© Fernando Kaskais
O que torna uma imagem interessante. Ilusão e realidade.
Há dois componentes fundamentais para tornar uma imagem interessante: assunto e apresentação. As implicações teóricas que eles acarretam são vastíssimas, por isso vou tentar abordar a aplicação prática. De uma maneira subjectiva muito limitada, pois não há maneira de o fazer a um nível absoluto. Pois, quanto mais vemos, quanto mais experimentamos, e fotografamos, mais a nossa própria visão evolui junto com a filosofia criativa por trás disso. Toda a imagem tem uma interpretação pessoal, sendo quase impossível fazer uma imagem que seja interessante para todos. Penso que há realmente apenas duas maneiras de tornar uma imagem interessante: – Ambiguidade ou Precisão Clínica.  Falamos de Ambiguidade, ou seja, realizar uma imagem deixando uma quantidade deliberada de possíveis interpretações. Normalmente dirigida a um público anónimo. Falamos de Precisão Clínica, quando uma imagem é muito bem estruturada e definida, dirigida a um alvo preferencial, normalmente o criador da mesma imagem que tem uma utilização especifica em mente. Ambas as abordagens exigem uma boa dose de controle, tanto do ponto de vista artístico, como do estético e técnico.
A ideia da Ambiguidade deliberada é bastante simples: o fotógrafo permite incerteza suficiente na imagem, para o público interpretar e projectar nas áreas mal definidas o que eles esperam ver. Desta forma, não há desapontamento ou oposição espontânea. O espectador vê o que quer ver, e não há nada a contradizer. Pode ser tão simples como uma quantidade enorme de espaço negativo. O conteúdo da escuridão, ou do espaço vazio não tem qualquer forma, então não há nada impedindo o observador de imaginar o espaço habitado com aquilo que ele quiser.
© Fernando Kaskais
Uma imagem de Precisão Clínica, não deixa absolutamente nenhum espaço para a interpretação, logo, até certo ponto, há quase sempre a certeza da decepção. Só podemos ver o que nos é apresentado; o fotógrafo tem o potencial de definir com precisão uma ideia, e espera que ela se traduza visualmente na mente de outra pessoa. Quanto mais controle o fotógrafo tem sobre este processo, melhor a ideia será traduzida. Não podemos traduzir uma ideia mal definida na nossa própria mente, porque então ninguém realmente saberá o que estamos a tentar dizer. Precisamos de uma profunda compreensão da psicologia humana, e da forma como a mente subconsciente processa a informação visual, e faz associações com outras memórias ou pensamentos, para fazer passar uma ideia muito complexa ou incomum.

 

© Fernando Kaskais
A melhor maneira é quando as pistas são apresentadas numa determinada ordem, mas o espectador chega à conclusão por conta própria. Por exemplo, podemos passar a ideia de um dia chuvoso com uma figura com um guarda-chuva e alguns reflexos do solo molhado. A figura na imagem poderá ser realmente quem os espectadores quiserem. Se não podem ver um rosto, a figura pode ter qualquer idade e ser de qualquer raça. Todavia, uma imagem altamente definida pode ser a de uma cidade debaixo de chuva, em que os pingos da chuva são visíveis nas poças, vendo-se a multidão de pessoas com guarda-chuvas, e marcos reconhecíveis no horizonte (por ex. Torre de Londres, Torre Eiffel, etc.) para levar o espectador a definir especificamente a localização.

© Fernando Kaskais
Pessoalmente, quanto mais fotografo, mais desafiador é comprometer-me com uma imagem. Isto não é porque eu não estou a ver; É porque estou a pensar antes de “disparar”. Eu sei que, para fazer uma imagem mais interessante e mais complexa, ou incomum, mais elementos precisam de unir-se de uma maneira muito precisa. Passo mais tempo agora a conceptualizar, a pensar, a observar o meu ambiente e a conceber ideias para encaixar. Por outro lado também estou “perdendo” mais tempo a estudar o comportamento e a psicologia das pessoas: não como sujeito, mas como público. Ao visualizar uma imagem, não é apenas o que é dito, mas também todas as coisas que passam através do meu subconsciente para me fazer chegar a uma determinada conclusão. Num nível mais simples, a temperatura da cor, a luz e o brilho, pode mudar o que nós sentimos sobre uma cena. Num nível mais complexo, certos elementos podem invocar desconforto ou outras sensações físicas como calor, fome, desejo, intrusão etc. Quem disse que uma fotografia diz tanto sobre o fotógrafo como o assunto que este fotografa estava carregado de razão. Fotógrafos somos todos. Uns mais do que outros, e é esse o fascínio da fotografia. Boas fotos.
© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

 

Surreal Duel

 

© Fernando Kaskais
 Conceptual photography
“Photography is savoring life at 1/100th of a second.” Marc Riboud

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

Turn Left

© Fernando Kaskais

 Minimalist photography

“We photographers are privileged to have a communication tool like the camera. It’s great communication.  I have to use that privilege for good not just for my career or artistic or personal business.” – Kenro Izu

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

Stripes Without Stars

© Fernando Kaskais

 Minimalist photography

“I am a deeply superficial person.” – Andy Warhol

 

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

 

Fisherman Blues

© Fernando Kaskais

Minimalist Phtography

“Whether he is an artist or not, the photographer is a joyous sensualist, for the simple reason that the eye traffics in feelings, not in thoughts.” – Walker Evans

© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

 

O Fotógrafo Invisível.

© Fernando Kaskais

“The ability to make a truly artistic photograph is not acquired off-hand, but is the result of an artistic instinct coupled with years of labor.” – Alfred Stieglitz

O Fotógrafo Invisível.

H. Cartier Bresson, já muito depois de ter deixado de fotografar, disse numa entrevista que o fotógrafo era o “anti-vedeta” por natureza. Numa festa, ele estará lá para fotografar os outros, e não para ser o centro das atenções. “Ei, ó fotógrafo tire aqui uma fotografia!”. Foi mais ou menos esta a expressão que ele usou, para sugerir, que ao contrário dos pintores, escritores ou realizadores de cinema, “não há” fotógrafos vedetas. Paradoxalmente, ele próprio veio a tornar-se numa, passando a ser uma espécie de “tesouro nacional francês”.
No entanto, é verdade, que nos dias de hoje não há fotógrafos “Rock Stars”. Os fotógrafos que se tornaram ícones com o decorrer do tempo, na sua época eram praticamente todos desconhecidos do grande público. Quem é que reconhecia o Ansel Adams na rua, o Elliott Erwitt, ou o Josef Koudelka , com a excepção de um ou outro apaixonado pela fotografia? Aliás, o Koudelka ainda é vivo, e a maioria das pessoas nunca ouviu falar dele, mesmo, muitos daqueles que se interessam pela fotografia enquanto arte.
Hoje em dia, tirando o caso de Sebastião Salgado, praticamente não há fotógrafos que tenham o estatuto de vedeta internacional. E ainda bem, diríamos nós. Porque, agrupar fotógrafos em escolas ou movimentos é um mal-entendido, baseado na analogia, inevitável mas invariavelmente inexacta, entre fotografia e pintura. Ter fotografias expostas numa galeria ou num museu, não significa automaticamente que essas fotografias tenham qualidade. Os museus possuem um respeito tendencioso pelo profundamente banal, e algumas galerias fazem o mesmo, ou então, fazem exactamente o oposto, apostando no profundamente bizarro e incompreensível. Isto leva a que o gosto fotográfico tenha tendência para ser, global, ecléctico, permissivo e em última analise tente negar a diferença entre o bom gosto e o mau gosto.
Na verdade, como a fotografia tem por tema o mundo inteiro, há espaço para todo o género de gostos. As preferências dos espectadores são meramente reactivas. Isto porque a linguagem com que as fotografias são geralmente avaliadas é extremamente limitada, por vezes é parasitária do vocabulário da pintura; composição, luz, tonalidade etc. Ou então, são analisadas através de juízos ainda mais vagos, como por serem subtis, interessantes, vigorosas, complexas ou simples.
Isto tudo para dizer o quê? Para dizer que, para ser explicada como arte, a fotografia tem de cultivar a noção do fotógrafo como auteur, e todas as fotografias tiradas pelo mesmo fotógrafo devem constituir um corpus. Ora, embora estas noções possam ser mais facilmente aplicáveis a uns fotógrafos do que a outros (por exemplo a Man Ray), a verdade é que os significados que uma fotografia adquire quando vista como parte de uma obra individual, não são particularmente esclarecedores se o critério for a visão fotográfica.
A Fotografia é uma espécie de arte esquizofrénica, já que quanto maior e variada for a obra de um fotógrafo com talento, mais parece adquirir uma espécie de autoria múltipla e não individual. Muitas das fotografias publicadas pelos maiores nomes da fotografia parecem trabalhos que poderiam ter sido feitos por qualquer outro profissional com talento da mesma época. Nos dias de hoje, na internet, alguns dos nomes mais conhecidos ligados á fotografia, são péssimos fotógrafos, e ganham a vida a promover produtos (por exemplo o intragável K. Rockwell).
Conclusão: A Fotografia não é uma maneira fácil de ganhar a vida e de nos tornarmos famosos perante a família, os amigos, os vizinhos ou o resto do mundo. A Fotografia (enquanto arte), é um meio maravilhoso para aprimorarmos a nossa visão do mundo, e educarmos o nosso sentido estético. É uma ferramenta filosófica com um mecanismo psicológico complexo, difícil de definir, e de dominar. É um exercício intelectual, que exige que abandonemos o EU,EU,EU, e nos esqueçamos de nós mesmos, atrás da lente. Exercício, esse, que ao mesmo tempo que exige ao fotógrafo que se torne invisível, lhe permite exorcizar a profunda depressão que advém de se sentir só perante si mesmo, projectando em múltiplas imagens um mundo do qual muitas vezes se sente excluído, ou voluntariamente se exclui. Se, pelo meio fizer algumas boas fotos, isso é fotografia, e é óptimo. Boas fotos.
© Fernando Kaskais

© Fernando Kaskais

%d bloggers like this: